Neve cobre mais de 10 mil km² na Cordilheira dos Andes e acende alerta para o que vem depois
O resultado chama atenção porque a extensão registrada representa praticamente o dobro do padrão histórico recente.
A cobertura de neve na Cordilheira dos Andes atingiu uma marca excepcional em agosto de 2026, ultrapassando 10 mil km² na encosta ocidental, na Região de Coquimbo, no Chile.
O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas (CEAZA), baseado em dados do sensor MODIS, aponta uma área aproximadamente duas vezes maior que a média histórica e abre uma perspectiva importante para os recursos hídricos de Chile e Argentina.
A Cordilheira dos Andes registrou uma cobertura de neve fora do padrão
Durante agosto, a media mensal da superfície coberta por neve na Região de Coquimbo passou dos 10 mil km². Para comparação, a média histórica entre 2002 e 2025 ficou em torno de 5 mil km², segundo os dados analisados pelo CEAZA.
O resultado chama atenção porque a extensão registrada representa praticamente o dobro do padrão histórico recente. As informações foram obtidas por meio do processamento de imagens de satélite do sensor MODIS.
🌨️ El impactante video que muestra la Cordillera de los Andes completamente cubierta de nieve tras una nevada histórica que duplicó las mediciones anteriores.
— LN+ (@lanacionmas) September 16, 2026
📍 En Pre Mañana pic.twitter.com/8TUaHGEnWc
O que o recorde de neve pode mudar no abastecimento de água
A grande quantidade de neve armazenada nas montanhas funciona como uma reserva natural que será liberada gradualmente durante o período de degelo.
Por isso, o fenômeno pode aumentar a disponibilidade de água nas regiões que dependem dos rios alimentados pela Cordilheira.
Entre os principais efeitos esperados estão:
Por que 10 mil km² de neve não significam 10 mil km² de água
Apesar do número impressionante, os especialistas fazem uma ressalva importante: a área coberta pela neve não revela sozinha a quantidade de água armazenada na montanha.
O cálculo depende do chamado equivalente em água, que considera características como profundidade e densidade da neve.
Assim, uma grande extensão branca vista pelos satélites não permite determinar automaticamente quanto chegará aos rios durante o degelo.

O degelo já começou e pode acelerar nas próximas semanas
O aumento das temperaturas em setembro e a elevação gradual da linha de congelamento já iniciaram o processo de transformação da neve em água líquida no lado chileno. As projeções apontam para uma liberação importante da reserva ao longo da primavera.
Esse processo será acompanhado de perto porque o excesso de neve também pode aumentar a necessidade de monitoramento de avalanches, desprendimentos de gelo e rochas em áreas de montanha e estradas.
San Juan e Mendoza podem sentir os efeitos do fenômeno
O impacto não ficará restrito ao território chileno. Na Argentina, especialmente em San Juan e na região de Mendoza, o degelo da Cordilheira pode reforçar os volumes das bacias dos rios San Juan e Jáchal.
O fenômeno cria, portanto, uma situação incomum após anos de preocupação com a escassez hídrica na região. A quantidade efetiva de água disponível, porém, dependerá da evolução das temperaturas, do ritmo do degelo e do equivalente hídrico da neve acumulada.
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