Raquel, 45 anos:“Sou eletricista com 25 anos de profissão e ainda escuto de clientes que seria melhor chamar meu marido”
Mulher eletricista enfrenta preconceito mesmo após 25 anos de profissão
⚡ 25 anos de profissão, e ainda perguntam pelo marido
A experiência não bastou para acabar com uma pergunta que se repete até hoje, mesmo depois de duas décadas e meia de trabalho. ⬇️
Uma eletricista com 25 anos de carreira relatou que ainda ouve, com frequência, que seria melhor o marido fazer o serviço no lugar dela. A história expõe um problema que segue presente na construção civil.
Ela começou na profissão ainda jovem, seguindo os passos do pai, e hoje comanda, junto com o marido, uma empresa própria de instalações elétricas, mesmo enfrentando dúvidas constantes sobre sua capacidade técnica.
Clientes questionam se ela realmente vai executar o serviço, e colegas de profissão às vezes tratam seu papel como auxiliar, mesmo quando ela lidera diretamente o projeto executado.
Esse cenário também se repete no Brasil?
Dados da construção civil brasileira mostram um cenário parecido: mulheres ocupam apenas 26,4% dos cargos de direção e gerência do setor, segundo levantamento do IBGE referente a 2022.
A diferença salarial também aparece nesses números: mulheres em cargos de gestão na construção civil recebiam, em média, cerca de 66% do que os homens recebiam na mesma função e nível hierárquico.
Isso mostra que o desafio não se limita a serviços técnicos de campo, como o de eletricista, mas atravessa também posições de liderança dentro do próprio setor da construção.
Por que esse tipo de preconceito ainda persiste?
Antes de detalhar as razões mais comuns, vale entender que a associação entre determinadas profissões e um único gênero costuma vir de hábito cultural, não de qualquer limitação técnica real.
- Falta de representatividade: poucas mulheres visíveis na profissão reforçam a ideia de que o trabalho é exclusivamente masculino.
- Dúvida sobre força física: tarefas específicas são questionadas sem considerar o uso de ferramentas e técnicas adequadas.
- Papel secundário presumido: colegas homens às vezes tratam a presença feminina como apoio, não como liderança do serviço.
Essas barreiras aparecem tanto do lado do cliente, que questiona diretamente a capacidade da profissional, quanto dentro do próprio ambiente de trabalho, entre colegas da mesma equipe.
O que ajuda a mudar esse cenário aos poucos?
Iniciativas que aproximam jovens mulheres de profissões técnicas, como cursos voltados especificamente para elas, ajudam a criar referência prática de que esse caminho profissional também é possível.
Profissionais experientes que participam desses projetos, contando a própria trajetória, funcionam como referência que muitas vezes faltou a elas mesmas no início da carreira.
Empresas que valorizam competência técnica acima de suposições sobre gênero também ajudam a normalizar a presença feminina em funções historicamente associadas apenas a homens.
Escolas técnicas e cursos profissionalizantes também têm papel importante nesse processo, ao abrir turmas específicas e campanhas de incentivo voltadas para atrair mais mulheres às áreas de elétrica e construção.
Redes de apoio entre profissionais mulheres do setor também fazem diferença, criando espaço para trocar experiências, indicar trabalho e enfrentar juntas desafios que aparecem no dia a dia da profissão.
Vale a pena repensar esse tipo de preconceito no dia a dia?
Histórias como essa mostram que competência e experiência nem sempre bastam para encerrar julgamentos automáticos sobre quem pode ou não exercer determinada profissão.
Você já presenciou alguém sendo questionado sobre sua capacidade profissional só por causa do gênero, mesmo com anos comprovados de experiência na função?
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