O pássaro que consegue dormir enquanto permanece voando e utiliza períodos extremamente curtos de sono durante longas jornadas sobre o oceano
Registros da atividade cerebral mostraram que a ave consegue alternar breves períodos de sono com longas horas de voo sobre o mar
Durante viagens que podem mantê-la sobre o oceano por vários dias, a fragata-grande consegue dormir em pleno voo, mas de uma maneira muito diferente de quando está em terra. Registros diretos da atividade cerebral de Fregata minor mostraram períodos curtíssimos de sono enquanto essas aves planavam, revelando uma adaptação extraordinária às exigências de permanecer no ar.
Como a fragata-grande consegue dormir enquanto permanece voando?
Pesquisadores equiparam fragatas-grandes com pequenos dispositivos capazes de registrar eletroencefalograma, movimentos da cabeça e posição por GPS. Os animais foram acompanhados durante voos sobre o oceano que duraram até dez dias, permitindo identificar diretamente quando o cérebro entrava em estados característicos de sono.
Os resultados mostraram que elas dormiam principalmente enquanto planavam ou circulavam em correntes ascendentes de ar, situações que exigem menos batimentos ativos das asas. Isso reduz a necessidade de realizar ajustes musculares constantes durante os breves períodos de repouso.
Quanto tempo a fragata-grande realmente dorme durante o voo?
Surpreendentemente, muito pouco. Durante os voos estudados, as aves dormiram em média apenas 0,69 hora por dia, aproximadamente 42 minutos. Isso correspondeu a cerca de 7,4% do tempo de sono registrado quando os mesmos animais estavam em terra.
Os episódios individuais também eram breves. O sono de ondas lentas durava em média cerca de 11 segundos por episódio durante o voo, embora alguns períodos contínuos alcançassem alguns minutos. Quase todo esse sono ocorria durante a noite.
- Sono diário em voo de aproximadamente 42 minutos;
- Episódios geralmente com poucos segundos de duração;
- Maior ocorrência durante a noite;
- Sono registrado principalmente durante voo planado.
Este vídeo explica as descobertas feitas com registros cerebrais de fragatas durante o voo.
O cérebro inteiro adormece enquanto a ave continua no ar?
Nem sempre. As fragatas apresentaram sono de ondas lentas tanto em um hemisfério cerebral por vez quanto nos dois hemisférios simultaneamente. O sono assimétrico foi mais frequente durante o voo do que quando as aves estavam em terra.
Durante determinados movimentos circulares, o hemisfério conectado ao olho voltado para a direção da curva permanecia mais desperto. Essa associação sugere que o sono uni-hemisférico pode permitir algum monitoramento visual da trajetória enquanto parte do cérebro repousa.
Por que essas aves dormem tão pouco sobre o oceano?
As fragatas precisam continuar procurando alimento, acompanhando correntes de ar e controlando sua trajetória. Elas também evitam permanecer pousadas sobre a água porque sua plumagem possui impermeabilização reduzida e sua anatomia dificulta uma decolagem eficiente depois de contato prolongado com o mar.
O estudo publicado na Nature Communications demonstrou ainda que o sono durante o voo era mais fragmentado e menos profundo. Assim, a capacidade de dormir no ar não significa que essas aves obtenham normalmente todo o descanso necessário enquanto atravessam o oceano.

Quais números mostram o comportamento da fragata-grande durante o sono?
Durante o voo, apenas cerca de 2,9% do tempo total registrado foi ocupado pelo sono. Em terra, esse valor ultrapassou 53%. Considerando um dia completo, isso significou aproximadamente 0,7 hora de sono no ar, contra valores próximos de 13 horas quando os animais estavam nos locais de reprodução.
Os episódios de sono de ondas lentas também diminuíram drasticamente de duração. Em voo, a média ficou próxima de 10,9 segundos, enquanto em terra atingiu aproximadamente 28,3 segundos. Até o sono REM apareceu durante o voo, embora em episódios ainda mais curtos.
O que essa descoberta revelou sobre o sono das aves?
Antes dessas medições, cientistas já suspeitavam que algumas aves fossem capazes de dormir durante voos prolongados, mas faltavam registros diretos da atividade cerebral. O estudo com Fregata minor forneceu a primeira demonstração neurofisiológica clara desse comportamento.
A descoberta também levantou uma questão maior: como esses animais mantêm desempenho adequado dormindo tão pouco durante vários dias? A fragata mostra que a necessidade e a organização do sono podem mudar radicalmente conforme as exigências ecológicas enfrentadas pelo animal.
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