Juro de 10 anos dos EUA bate maior nível desde 2007
Com juro de 10 anos dos EUA em 5,02%, maior desde 2007, sobe o custo da dívida americana e aumenta a pressão sobre o Brasil
O juro dos títulos do Tesouro americano de 10 anos chegou a subir para 5,02% nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, o nível mais alto desde 2007. Foi um dos raros momentos, desde a crise financeira de 2007, em que a taxa ultrapassou 5% durante o pregão.
O movimento superou o pico registrado em outubro de 2023, quando a taxa também havia tocado brevemente essa marca antes de recuar. Analistas apontam que o patamar elevado pode se manter por mais tempo.
Quando o retorno dos títulos americanos sobe, investidores estrangeiros encontram um destino mais seguro e mais rentável para o dinheiro, o que reduz o interesse por aplicações em mercados emergentes, como o brasileiro.
Esse movimento pode enfraquecer o real frente ao dólar, encarecendo produtos importados e insumos cotados em moeda estrangeira, como combustíveis e fertilizantes. A alta desses preços pode dificultar o trabalho do Banco Central, que se encaminha para cortar os juros no país em mais 0,25 ponto percentual.
O governo brasileiro também sente o impacto, já que juros mais altos nos Estados Unidos costumam elevar o custo de captação de dívida em todo o mundo, inclusive para países emergentes que precisam se financiar lá fora.
Além disso, quanto mais caro fica para o governo americano se financiar, maior a pressão sobre o orçamento federal, que já soma uma dívida recorde de 40 trilhões de dólares, que segue crescendo.
A alta dos juros acompanha a disparada do petróleo. Os preços do Brent e do WTI avançaram cerca de 5% nos últimos dias, ultrapassando 100 dólares o barril, depois que a Arábia Saudita interrompeu um de seus dutos alternativos de transporte em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
Combustíveis mais caros elevam as expectativas de inflação, e isso leva os investidores a exigir um retorno maior para financiar a dívida americana no longo prazo.
O aumento também reflete o volume crescente de emissões de dívida. Os governos ampliam a oferta de títulos para refinanciar débitos e cobrir déficits fiscais, enquanto empresas de inteligência artificial têm captado somas elevadas no mercado de crédito para seus investimentos.
Esse excesso de oferta compete por compradores e contribui para elevar as taxas exigidas pelos investidores.
O momento coincide com a reunião de dois dias do FOMC, órgão do banco central dos Estados Unidos que define a taxa de juros, que termina nesta quarta-feira, 16 de setembro.
O mercado atribui probabilidade acima de 90% a uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros básicos americanos, o que marcaria a primeira elevação desde julho de 2023. Os rendimentos dos títulos de 2 anos e de 30 anos também subiram nesta terça-feira, para 4,66% e 5,38%, respectivamente.
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