Depois de 59 anos, tradicional rede entra em falência com cerca de 260 lojas e 4.500 funcionários e meses depois fecha as 185 unidades restantes
A recuperação judicial começou com uma tentativa de reorganização, mas a falta de uma saída para a rede levou as unidades restantes à liquidação.
Uma rede criada no fim dos anos 1950 chegou a 2016 ainda presente em dezenas de estados e atendendo consumidores ligados a costura, tecidos e artesanato. Em fevereiro, a Hancock Fabrics entrou em Chapter 11 com cerca de 260 lojas e 4.500 funcionários; meses depois, as unidades restantes seguiram para liquidação.
Por que a Hancock Fabrics entrou em Chapter 11?
O pedido foi apresentado em 2 de fevereiro de 2016, no Tribunal de Falências de Delaware. A companhia afirmou que pretendia reorganizar sua estrutura de capital, obter liquidez, reduzir custos e ajustar a localização das lojas para tornar a operação mais competitiva.
O Chapter 11 não significava, naquele momento, fechamento imediato. A empresa planejava continuar atendendo clientes e pagando funcionários e fornecedores enquanto buscava uma estrutura que permitisse atravessar a recuperação.

Qual era o tamanho da rede quando a falência começou?
Documentos posteriores do processo registraram 263 lojas na data do pedido. A Hancock era uma das maiores varejistas especializadas em tecidos dos Estados Unidos e havia registrado mais de US$ 283 milhões em vendas em 2014.
O mesmo documento apresentado à SEC informa aproximadamente 4.500 funcionários, dos quais cerca de 4.150 trabalhavam nas lojas. Os demais estavam ligados à sede corporativa, ao armazém e à estrutura de distribuição.
Três números ajudam a dimensionar a operação:
O plano inicial ainda tentava preservar a empresa?
Sim. Quando entrou no processo judicial, a Hancock Fabrics apresentou a recuperação como uma forma de reduzir passivos e melhorar a rede, não como anúncio de encerramento. A companhia continuou operando enquanto avaliava vendas de ativos e alternativas para sua estrutura.
A diferença apareceu rapidamente nas semanas seguintes. O processo de venda mostrou que preservar toda a cadeia sob o mesmo formato seria difícil, e parte das lojas começou a ser fechada enquanto a empresa buscava maximizar o valor dos ativos restantes.
Como as 185 lojas restantes acabaram em liquidação?
No fim de março, a Great American Group foi reconhecida como vencedora do leilão de ativos e estoques. Em 1º de abril de 2016, começaram as vendas de encerramento nas 185 lojas restantes, mudando definitivamente o rumo da recuperação.
O objetivo passou a ser vender mercadorias e outros ativos, em vez de manter a antiga rede funcionando. Documentos posteriores indicam que as vendas de fechamento das unidades restantes se estenderam até o fim de julho de 2016.
O encerramento avançou por quatro frentes:
O que aconteceu com os funcionários e a estrutura da empresa?
A liquidação atingiu uma força de trabalho de aproximadamente 4.500 pessoas. Como cerca de 4.150 atuavam diretamente nas lojas, o desaparecimento da rede física representou o fim da principal base de empregos da companhia.
A estrutura também incluía um grande centro de distribuição e instalações corporativas no Mississippi. Como todas as lojas eram alugadas, contratos de locação e ativos físicos seguiram processos próprios de venda ou encerramento durante a administração da falência.
Como terminou uma história iniciada em 1957?
A Hancock Fabrics havia sido fundada em 1957 e construiu sua presença vendendo tecidos, acessórios de costura, materiais para trabalhos manuais e máquinas de costura. Ao entrar em 2016, ainda possuía uma rede nacional relevante apesar das dificuldades financeiras.
O desfecho ocorreu poucos meses depois do pedido judicial. As últimas 185 lojas foram liquidadas, e a companhia deixou de operar sua antiga rede física, encerrando uma trajetória de 59 anos no varejo americano de tecidos e artigos para costura.
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