Dino vê indício de pedido pessoal de Cezinha a Nunes Marques
Deputado disse que pediria diretamente ao ministro para tratar de processo no STF, segundo mensagens obtidas pela PF
“Vou pedir a ele”. A frase do deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) sobre uma conversa com o ministro Kassio Nunes Marques é um dos elementos usados por Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para justificar as buscas contra o parlamentar.
A mensagem aparece em uma conversa sobre a Reclamação 76.831, processo em tramitação na Corte. Segundo a decisão de Dino, Cezinha informou que seria recebido por Nunes Marques às 16h e, questionado se o encontro seria com o ministro, confirmou a interlocução.
Na sequência, o deputado afirmou: “Foi até bom que ele vai ver se de fato eu preciso pedir expressamente”.
Para Dino, as mensagens indicam, em análise preliminar, que Cezinha poderia estar fazendo mais do que apenas encaminhar peças processuais. O ministro afirma que os diálogos sugerem a intenção de formular um “pedido pessoal e direto ao julgador”.
A conversa foi obtida pela Polícia Federal na investigação que apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A operação contra Cezinha foi realizada nesta segunda-feira, 14, em São Paulo e no Distrito Federal.
Segundo a investigação, a advogada Mariângela Fialek, chamada de “Tuca” nas mensagens, encaminhava processos, memoriais e informações ao deputado. Em resposta, Cezinha relatava ter “falado”, “despachado” ou “pedido” a autoridades e mencionava encontros com integrantes de tribunais superiores.
A PF também identificou contratos de honorários e cessões de crédito com pagamentos condicionados ao êxito de ações judiciais. Os valores citados na decisão chegam a 2 milhões de reais.
Dino fez uma ressalva: Nunes Marques não é investigado, e a decisão não aponta irregularidade praticada pelo ministro. Segundo o magistrado, a apuração mira quem eventualmente teria oferecido ou negociado a capacidade de acesso a integrantes do Judiciário.
A PF busca agora, com a análise dos dispositivos apreendidos, identificar outros interlocutores e esclarecer o alcance das conversas.
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