Campanha de Lula já esperava ‘salvação’ de Flávio Dino?
Ministro indicado por Lula ao STF retirou o sigilo de cerca de 5 mil páginas da investigação sobre a produção de 'Dark Horse'
Citando três pessoas muito próximas ao Palácio do Planalto, o Estadão publicou nesta segunda-feira, 14, que o governo Lula aguardava uma ação de Flávio Dino, ministro indicado pelo petista para o STF por ter uma “cabeça política”, no caso Dark Horse desde quinta, 10.
Segundo jornal, a campanha de Lula vê a atuação do magistrado como uma forma de “salvação” para o petista, que vem observado a aproximação de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
Dino retirou no domingo, 13, o sigilo de cerca de 5 mil páginas da investigação sobre a produção de Dark Horse, filme inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro.
O material reúne documentos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo e aponta suspeitas de uso de recursos públicos na produção do filme.
Dino também determinou que o material apreendido pela polícia paulista, incluindo celulares, seja enviado à Polícia Federal.
Para justificar a retirada do sigilo, o ministro faz referência a decisões recentes de André Mendonça e do presidente do STF, Edson Fachin, relacionadas à divulgação de investigações.
Dino afirmou que a publicidade pode evitar “vazamentos seletivos”.
“Aparentemente essa diretriz deriva da ideia de a publicidade prevenir ‘vazamentos seletivos’, que de fato constituem grave vício a ser combatido. Tais vazamentos seletivos quebram a imparcialidade na condução da investigação criminal e do processo penal, na medida em que a autoridade estatal passa a escolher alvos, de acordo com amizades e inimizades, ou outros interesses ilegítimos, tais como ‘agradar’ detentores de poder econômico ou político, alimentar passeatas e outros ‘espetáculos’, ou mesmo gerar ganhos financeiros”, diz trecho da decisão., diz trecho da decisão.
Mário Frias
O ministro também cita Mário Frias (PL-SP), idealizador e produtor executivo do filme, ao descrever a linha investigativa.
Segundo o despacho, o deputado “- no terreno hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”.
Frias foi alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 10.
A operação investiga suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção de Dark Horse.
Em 2024, Frias destinou 2 milhões de reais em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme.
Uma das emendas, de 1 milhão de reais, seria destinada a um programa de empreendedorismo em Pirassununga (SP) que não foi executado.
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