A extraordinária ave capaz de reproduzir sons que escuta ao redor e que pode imitar desde outras espécies até ruídos produzidos por atividades humanas
A aprendizagem vocal permite que essa ave australiana incorpore chamados de outras espécies e até determinados sons humanos ao repertório
Nas florestas úmidas do sudeste da Austrália vive uma das imitadoras vocais mais impressionantes do mundo animal. A ave-lira consegue reproduzir com grande precisão chamados de outras aves e incorporar esses sons ao próprio repertório. Em cativeiro, alguns indivíduos também aprenderam ruídos produzidos por máquinas e pessoas, embora relatos famosos de serras elétricas e câmeras na natureza precisem ser interpretados com cautela.
Como a ave-lira consegue imitar tantos sons diferentes?
Existem duas espécies atuais do gênero Menura: a ave-lira-soberba, Menura novaehollandiae, e a ave-lira-de-Albert, Menura alberti. A primeira é a mais conhecida por seu repertório extenso e ocorre principalmente em florestas do sudeste australiano, incluindo áreas de Nova Gales do Sul, Victoria e Tasmânia, onde foi introduzida.
Como outras aves canoras, ela produz sons usando a siringe, órgão vocal localizado próximo à divisão da traqueia. O desempenho extraordinário não depende de simplesmente “gravar” sons como um aparelho eletrônico. A ave escuta, memoriza, pratica e ajusta vocalizações, reproduzindo sequências complexas que podem se tornar parte estável de seu repertório.
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Como a ave-lira aprende aquilo que reproduz?
A aprendizagem vocal ocorre ao longo do desenvolvimento e envolve contato com outras aves. Jovens podem aprender sons diretamente das espécies que escutam na floresta e também adquirir elementos já imitados por aves-lira mais experientes. Dessa forma, determinados sons podem ser transmitidos socialmente entre indivíduos de uma mesma região.
Essa transmissão ajuda a explicar por que populações diferentes podem apresentar repertórios e até características semelhantes a dialetos locais. A prática também é importante: reproduzir com precisão ritmo, frequência e timbre exige refinamento progressivo, e indivíduos adultos podem apresentar repertórios acumulados durante anos.
- Chamados de outras aves podem ser incorporados ao repertório;
- Sons aprendidos podem circular entre indivíduos da mesma população;
- A prática melhora a precisão das vocalizações;
- O repertório varia conforme ambiente, experiência e indivíduo.
Este vídeo da BBC Earth mostra um macho reproduzindo diferentes sons, inclusive ruídos aprendidos em ambiente humano.
Por que os machos utilizam tanta imitação durante suas exibições?
Machos da ave-lira-soberba combinam vocalização e movimentos corporais durante a temporada reprodutiva. Eles podem cantar sobre pequenas áreas do solo preparadas para exibição e levantar a elaborada cauda sobre o corpo enquanto alternam sons próprios com imitações de diversas espécies.
A função exata de cada componente do repertório ainda é estudada, mas existem evidências de que a complexidade vocal participa da comunicação reprodutiva e territorial. Em determinadas situações, machos também imitam conjuntos de chamados de alarme de várias aves, produzindo a impressão acústica de um grupo reagindo à presença de um predador.
Ela realmente imita motosserras, câmeras e outros equipamentos?
Sim, indivíduos podem aprender sons produzidos por humanos, mas é importante separar observações documentadas de generalizações populares. Alguns dos exemplos mais famosos de ferramentas, motores e equipamentos foram registrados em aves criadas ou mantidas em cativeiro, expostas repetidamente a esses ruídos.
Há relatos históricos de imitação de sons humanos por animais em liberdade, porém a evidência para determinados exemplos populares é menos sólida. O Australian Museum registra que a espécie reproduz sons naturais e mecânicos, mas isso não significa que todos os indivíduos selvagens imitem máquinas ou façam isso com frequência.

Quais números mostram a capacidade da ave-lira?
A ave-lira-soberba pode medir aproximadamente 80 a 100 centímetros de comprimento quando a grande cauda dos machos adultos é incluída. Apesar da aparência semelhante à de uma ave terrestre de grande porte, pertence aos passeriformes e passa muito tempo procurando alimento entre folhas caídas no chão da floresta.
Fontes ornitológicas indicam que cerca de 80% da apresentação vocal de machos pode consistir em imitações. Essa proporção não representa uma regra rígida para qualquer indivíduo ou situação, mas ajuda a demonstrar quanto os sons aprendidos podem dominar suas apresentações.
| Característica | Informação |
|---|---|
| Espécie mais conhecida | Menura novaehollandiae |
| Comprimento | Cerca de 80 a 100 cm |
| Parcela imitativa do canto | Pode representar cerca de 80% |
| Distribuição principal | Sudeste da Austrália |
Por que essa capacidade vocal é tão importante para a ciência?
A espécie oferece aos pesquisadores uma oportunidade de estudar aprendizagem, memória, transmissão cultural e evolução da comunicação animal. Quando um som passa de uma ave para outra e permanece em uma população, o processo mostra que parte do comportamento vocal pode ser adquirida socialmente, e não determinada apenas geneticamente.
Sua fama como imitadora também ensina uma lição importante sobre comportamento animal: uma habilidade real pode ganhar versões exageradas quando exemplos incomuns se tornam populares. A capacidade continua extraordinária mesmo sem imaginar que todas as aves reproduzam qualquer som que escutem ao redor.
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