O animal que consegue detectar pequenos campos elétricos produzidos por outros seres vivos e utiliza esse sentido praticamente invisível para localizar alimento escondido no ambiente
Milhares de receptores no bico permitem detectar sinais elétricos e movimentos produzidos por pequenas presas aquáticas
O Ornithorhynchus anatinus possui uma das adaptações sensoriais mais incomuns entre os mamíferos. Quando mergulha para procurar alimento, o ornitorrinco utiliza milhares de eletrorreceptores concentrados no bico para perceber campos elétricos muito fracos produzidos principalmente pela atividade muscular de pequenos animais aquáticos, combinando essas informações com sinais mecânicos para localizar suas presas.
Como o ornitorrinco encontra alimento sem depender da visão?
Durante o mergulho, pregas de pele cobrem os olhos e as aberturas dos ouvidos, enquanto as narinas permanecem fechadas. Isso significa que visão, audição aérea e olfato não são os principais sentidos utilizados durante a procura por alimento no fundo de rios e riachos.
O bico assume então um papel central. Ele possui sistemas sensoriais capazes de detectar tanto pequenas deformações e movimentos na água quanto variações elétricas. Dessa maneira, o animal consegue procurar larvas de insetos, vermes, crustáceos e outros invertebrados mesmo em água turva ou entre sedimentos.
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Como funcionam os eletrorreceptores presentes no bico?
Os eletrorreceptores estão associados a estruturas semelhantes a glândulas mucosas modificadas distribuídas pela pele do bico. Terminações nervosas conectadas ao nervo trigêmeo respondem a diferenças muito pequenas de potencial elétrico presentes na água.
Quando uma presa contrai seus músculos, surgem pequenas variações elétricas no ambiente aquático. O sistema sensorial pode perceber parte dessas mudanças, enquanto mecanorreceptores detectam movimentos e ondas produzidos pela mesma presa. O cérebro combina as duas informações para melhorar a localização do alimento.
- Eletrorreceptores identificam variações de campos elétricos;
- Mecanorreceptores detectam movimentos e pressão na água;
- O nervo trigêmeo conduz grande parte dessas informações ao cérebro;
- A integração dos sinais ajuda a estimar a posição da presa.
Este vídeo da National Geographic apresenta características do ornitorrinco e seu sistema sensorial incomum.
Por que o ornitorrinco possui tantos receptores no bico?
Estudos anatômicos estimam aproximadamente 40 mil estruturas eletrossensoriais no bico do O. anatinus. Elas aparecem distribuídas de maneira organizada pela superfície, permitindo que diferentes regiões recebam intensidades distintas do mesmo campo elétrico.
Essa distribuição pode ajudar o animal a determinar a direção de onde vem um sinal. Ao movimentar o bico lateralmente durante a procura por alimento, ele também modifica a relação entre os receptores e a fonte elétrica, acrescentando informação útil para localizar uma presa escondida.
O animal consegue sentir a eletricidade de qualquer ser vivo?
Não de forma ilimitada. Os campos envolvidos são extremamente fracos e diminuem rapidamente conforme aumenta a distância da fonte. Experimentos com receptores individuais registraram respostas a campos da ordem de poucos milivolts por centímetro, mas a sensibilidade comportamental resulta da integração de muitos receptores e de outros sinais sensoriais.
O American Museum of Natural History explica que sinais elétricos e mecânicos atuam juntos durante a caça. Assim, a eletrorrecepção não deve ser entendida como um “radar elétrico” capaz de revelar qualquer organismo distante, mas como parte de um sistema altamente especializado para procurar alimento debaixo d’água.

Quais números revelam a capacidade sensorial do ornitorrinco?
Além dos cerca de 40 mil eletrorreceptores descritos no bico, pesquisas também identificam dezenas de milhares de mecanorreceptores. A combinação cria uma superfície sensorial extremamente especializada, muito diferente da função predominantemente alimentar e tátil do focinho de muitos outros mamíferos.
Os experimentos também mostram que receptores respondem melhor a determinadas frequências de variação elétrica e que a orientação do bico em relação ao campo influencia a resposta. Esses resultados ajudam a explicar por que movimentos laterais do focinho aparecem durante a busca por presas.
| Elemento sensorial | Função |
|---|---|
| Eletrorreceptores | Cerca de 40 mil estruturas associadas à detecção elétrica |
| Mecanorreceptores | Percebem pressão, vibração e movimentos na água |
| Nervo trigêmeo | Transporta sinais sensoriais do bico |
| Cérebro | Integra informações elétricas e mecânicas |
Por que esse sentido é tão incomum entre os mamíferos?
A eletrorrecepção é amplamente conhecida em vários peixes e outros animais aquáticos, mas entre mamíferos sua ocorrência é rara. Nos monotremados, grupo que inclui ornitorrincos e equidnas, existem estruturas eletrossensoriais, embora o sistema do O. anatinus seja particularmente desenvolvido e especializado para a alimentação aquática.
Essa adaptação mostra como diferentes sistemas sensoriais podem evoluir em resposta ao ambiente. Em águas onde enxergar uma pequena presa no fundo seria difícil, combinar sinais elétricos e mecânicos fornece informações que permitem ao animal continuar caçando mesmo com olhos, ouvidos e narinas temporariamente fechados.
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