Focus reduz projeção do IPCA a 4,90% antes do Copom
Focus aponta Selic estável em 13,75% ao ano até o fim de 2026, enquanto analistas reduzem estimativa de crescimento do PIB
O mercado financeiro reduziu, pela terceira semana seguida, a projeção para a inflação de 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a expectativa para o IPCA caiu de 5,00% para 4,90% neste ano. Para 2027, a estimativa subiu de 4,29% para 4,30%. As projeções para 2028 e 2029 ficaram inalteradas, em 3,80% e 3,50%.
O crescimento da economia também perdeu força nas contas dos analistas consultados pelo Banco Central. A mediana para o PIB de 2026 recuou de 1,93% para 1,89%, e a de 2027 caiu de 1,50% para 1,45%. Para 2028, a estimativa passou de 1,96% para 1,87%, enquanto a previsão para 2029 se manteve em 2,00%.
Outros indicadores de preços tiveram movimentos distintos. O IGP-M de 2026 subiu de 4,34% para 4,54%, depois de ter recuado na semana anterior, enquanto os preços administrados pelo governo, como energia elétrica e combustíveis, caíram de 4,71% para 4,61% neste ano.
No câmbio, a expectativa do Focus para o dólar no fim de 2026 seguiu em 5,20 reais pela 13ª semana consecutiva. Para 2027, a mediana recuou de 5,30 para 5,28 reais, e a previsão para 2029 avançou de 5,35 para 5,36 reais.
A taxa Selic para o fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano pela sexta semana seguida, segundo o levantamento. A estimativa para 2027 também não mudou, em 12,00% ao ano, número que se repete há 13 semanas. As projeções para 2028 e 2029 continuaram em 10,50% e 10,00%.
Nas contas públicas, a projeção de déficit primário de 2026 melhorou marginalmente de 0,50% para 0,45% do PIB, e a dívida líquida do setor público subiu de 69,90% para 70,00% do PIB. No setor externo, o Focus manteve o déficit em conta corrente em 60 bilhões de dólares.
O resultado chega dois dias antes de o Comitê de Política Monetária se reunir para decidir o novo patamar dos juros. A Selic está em 14% ao ano, e boa parte do mercado espera um novo corte de 0,25 ponto, levando a taxa a 13,75%, patamar já previsto para o fim do ano. O encontro acontece em meio à eleição de outubro e ao conflito no Oriente Médio.
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