Depois de pouco mais de duas décadas, rede cresce até 276 lojas, entra em falência com quase 9.700 funcionários e termina em liquidação
Uma rede de moda de baixo preço passou da expansão acelerada à segunda falência em poucos meses, até abandonar toda a operação física.
Em pouco mais de duas décadas, uma rede conhecida por roupas baratas passou de expansão acelerada a uma crise que derrubou toda a operação. A Steve & Barry’s chegou ao Chapter 11 em 2008 com 276 lojas e 9.695 trabalhadores, antes de uma tentativa de venda terminar em liquidação.
Como a Steve & Barry’s conseguiu chegar a 276 lojas?
A rede cresceu ocupando grandes espaços em centros comerciais e apostando em roupas, calçados e acessórios de baixo preço. Em poucos anos, transformou-se em uma cadeia presente em dezenas de estados americanos.
O crescimento aumentou a necessidade de capital para abrir lojas, financiar estoques e sustentar a estrutura. Quando o crédito apertou em 2008, a companhia entrou em uma crise de liquidez.

O que levou a rede ao Chapter 11 em 2008?
A Steve & Barry’s recorreu ao Chapter 11 em julho de 2008. Documentos posteriores apontaram atrasos em inaugurações, recebimento de verbas ligadas aos imóveis, redução da capacidade de empréstimo e instabilidade nos mercados de crédito.
A empresa buscava tempo para reorganizar dívidas e avaliar a venda de ativos. Ao mesmo tempo, a crise financeira americana dificultava a obtenção de dinheiro novo para sustentar a operação.
Quatro fatores resumem a pressão financeira daquele momento:
O que os números apresentados ao Congresso mostram?
Um levantamento apresentado ao Congresso americano registrou a Steve & Barry’s com 276 localizações e 9.695 empregados quando entrou em falência. O documento também relacionou o caso a outras grandes quebras do varejo entre 2008 e 2009.
A mesma tabela apontava vendas anuais de US$ 656,6 milhões e passivos de aproximadamente US$ 683 milhões. Mesmo com grande volume de vendas, a rede enfrentava uma crise de liquidez.
Por que a primeira tentativa de salvar a operação fracassou?
Os ativos da empresa foram vendidos em agosto de 2008 a investidores que pretendiam manter parte das lojas funcionando. Poucas semanas depois, o novo plano determinou o fechamento de 103 das 276 unidades, deixando cerca de 173 pontos para continuar operando.
A redução não resolveu o problema. As vendas continuaram decepcionantes e os novos proprietários não conseguiram financiamento suficiente para sustentar a rede, levando a uma segunda passagem pelo Chapter 11 ainda naquele mesmo ano.
A sequência mostra como a reestruturação mudou em poucos meses:
Quando a liquidação total passou a ser inevitável?
Em novembro de 2008, a controladora formada pelos compradores também recorreu ao Chapter 11. O plano de manter uma Steve & Barry’s menor foi abandonado, e as lojas restantes seguiram para liquidação.
As vendas de encerramento esvaziaram estoques e desmontaram uma rede que, meses antes, ainda tinha centenas de unidades. O processo transformou uma tentativa de reorganização em encerramento completo dentro de um período extremamente curto.
Por que o colapso da Steve & Barry’s chama atenção até hoje?
A velocidade da mudança é o elemento mais marcante. A companhia chegou a 276 lojas e quase 9.700 trabalhadores, entrou em falência, encontrou compradores, cortou parte da rede e mesmo assim terminou em liquidação ainda no mesmo ano.
O caso mostra que crescimento e volume de vendas não garantem caixa suficiente para atravessar uma crise. Quando crédito e consumo pioraram ao mesmo tempo, a expansão perdeu sustentação em poucos meses.
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