Megaobra de R$ 6,8 bilhões vai colocar um túnel inteiro no fundo do mar para ligar duas cidades separadas por um dos portos mais movimentados do Brasil
A travessia imersa usará módulos de concreto sob o canal portuário e deve reduzir um deslocamento que hoje pode chegar a 50 minutos.
Separadas por poucas centenas de metros de canal portuário, duas áreas urbanas ainda dependem de balsas ou de um longo desvio rodoviário. O Túnel Santos–Guarujá terá 1,5 km de extensão, com 870 metros imersos sob o canal do Porto de Santos, criando uma ligação fixa entre as margens.
Como um túnel inteiro será colocado sob o canal?
O projeto usará a técnica de túnel imerso. Em vez de escavar toda a passagem, grandes módulos de concreto serão fabricados fora do canal, transportados até a posição prevista e afundados em uma trincheira no leito.
O cronograma oficial prevê a fabricação dos elementos em 2028 e a imersão e montagem em 2029. Depois do posicionamento, as partes serão unidas e vedadas, enquanto rampas e sistemas de acesso completarão a ligação entre Santos e Guarujá.

Qual será o tamanho e o que passará pela estrutura?
O empreendimento terá cerca de 1,5 km no total, dos quais 870 metros ficarão submersos sob o canal portuário. A configuração prevista combina circulação rodoviária com espaço para transporte coletivo e modos não motorizados.
Serão três faixas por sentido, com uma delas preparada para a futura implantação do Veículo Leve sobre Trilhos, além de áreas separadas para pedestres e ciclistas. Isso cria uma conexão urbana mais ampla do que uma passagem apenas para automóveis.
Quatro características ajudam a dimensionar a estrutura planejada:
Quanto custa e quem será responsável pela obra?
O investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões. A parceria público-privada foi leiloada em setembro de 2025, e o grupo português Mota-Engil assumiu a responsabilidade pela implantação, operação e manutenção do túnel ao longo da concessão.
O contrato tem prazo de 30 anos e prevê aporte público de aproximadamente R$ 5,1 bilhões. O modelo reúne recursos públicos e privados para viabilizar uma ligação discutida na Baixada Santista havia cerca de um século.
O que muda para quem cruza entre as duas cidades?
A ligação fixa deve reduzir uma travessia que pode levar cerca de 50 minutos para menos de cinco minutos, segundo o portal oficial do projeto. Hoje, mais de 28 mil pessoas usam diariamente balsas e pequenas embarcações para passar entre as margens.
Outra alternativa é contornar o estuário pela malha rodoviária, um percurso bem mais longo. O novo caminho pretende diminuir essa dependência e dar previsibilidade ao deslocamento de moradores, trabalhadores, veículos de serviço e transporte coletivo.
Os principais números mostram a escala da mudança esperada:
Por que o projeto precisa conviver com o Porto de Santos?
O túnel cruzará sob o canal do Porto de Santos, área essencial para a navegação de navios de carga. Por isso, a solução imersa foi projetada para manter a operação portuária e não bloquear futuras expansões do complexo.
Em 2025, o porto movimentou 186,5 milhões de toneladas de cargas. A ligação entre as cidades precisa, portanto, resolver um problema urbano sem criar uma barreira sobre a hidrovia usada por um dos principais sistemas logísticos do país.
Quando a travessia deve começar a operar?
Em 2026, a concessionária entrou na fase de projetos funcional e executivo e estudos complementares. O cronograma oficial do Túnel Santos–Guarujá prevê mobilização e obras iniciais em 2027, fabricação dos módulos em 2028 e imersão em 2029.
A finalização de acabamentos, sistemas e testes está prevista para 2030, enquanto o início da operação comercial aparece programado para 2031. Como se trata de uma obra complexa, essas datas dependem do cumprimento das etapas técnicas, ambientais e contratuais do projeto.
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