O santuário que parece flutuar sobre a água quando a maré sobe ao redor de seus pavilhões
A subida da maré envolve passarelas e pavilhões e transforma o grande torii vermelho em parte da paisagem do Mar Interior de Seto
Na ilha de Miyajima, no oeste do Japão, um conjunto de edifícios vermelhos muda completamente de aparência ao longo do dia. O Santuário de Itsukushima foi construído sobre a zona sujeita às marés, apoiado acima do fundo costeiro, e não em uma ilha artificial. Quando o nível do mar sobe, a água ocupa o espaço sob passarelas e pavilhões, criando a impressão de que toda a arquitetura está flutuando diante das montanhas.
Como o Santuário de Itsukushima foi construído junto ao mar?
Registros tradicionais situam a fundação do santuário em 593, embora grande parte da configuração arquitetônica associada ao monumento atual tenha sido estabelecida em 1168 sob o poderoso líder Taira no Kiyomori. Ao longo dos séculos, reconstruções conservaram características do estilo desenvolvido entre os séculos XII e XIII.
Itsukushima era considerada uma ilha sagrada. Em vez de ocupar intensamente seu interior, o complexo religioso foi integrado à faixa costeira, combinando edifícios, mar e montanha. Passarelas elevadas conectam diferentes pavilhões e permitem que a água circule sob parte da estrutura durante a maré alta.
Por que o Santuário de Itsukushima parece flutuar na maré alta?
A explicação está no ciclo das marés. Quando o nível do Mar Interior de Seto aumenta, áreas do fundo anteriormente expostas ficam submersas. A água então alcança o espaço sob os pavilhões e corredores, escondendo visualmente os apoios e fazendo a construção parecer pousada diretamente sobre o mar.
Na maré baixa acontece o contrário. O fundo costeiro reaparece, revelando claramente que o efeito de flutuação depende do nível da água. Em determinadas condições, visitantes conseguem inclusive caminhar pelo terreno exposto em direção ao famoso grande torii.
- Maré alta cobre o terreno sob os edifícios.
- Passarelas permanecem elevadas acima da água.
- Maré baixa revela novamente o fundo costeiro.
- Horários do efeito mudam diariamente conforme as marés.
Este vídeo mostra o grande torii e a paisagem de Miyajima junto ao mar.
Como o grande torii se mantém de pé dentro do mar?
O enorme portal vermelho diante do santuário tornou-se a imagem mais famosa de Miyajima. A estrutura atual foi construída em 1875 e representa a oitava versão conhecida do grande torii. Ela possui aproximadamente 16,6 metros de altura e pesa cerca de 60 toneladas.
Curiosamente, seus pilares principais não estão profundamente enterrados no fundo marinho. O peso da própria construção ajuda a mantê-la estável, enquanto seis pilares ampliam sua base. A parte superior contém toneladas de pedras, e elementos de madeira e fundações reforçadas ajudam a distribuir forças provocadas pelas marés e pelo vento.
O santuário permanece cercado por água durante todo o dia?
Não. A paisagem muda continuamente. Durante a maré alta, água suficiente entra sob os edifícios para produzir a famosa aparência flutuante. Horas depois, a maré pode recuar tanto que grandes áreas diante do complexo ficam expostas, alterando completamente a relação visual entre arquitetura e mar.
Por isso, duas visitas no mesmo dia podem produzir experiências muito diferentes. A Associação de Turismo de Miyajima mantém informações sobre os níveis das marés, permitindo identificar períodos em que o santuário parece flutuar e momentos em que é possível aproximar-se do torii a pé.

Quais números ajudam a entender o Santuário de Itsukushima?
O grande torii fica a aproximadamente 200 metros da região principal do santuário. A estrutura atual possui cerca de 16,6 metros de altura, e seu telhado alcança aproximadamente 24,2 metros de comprimento. Os grandes pilares de cânfora natural também impressionam pela circunferência, próxima de 10 metros.
Essas dimensões fazem do portal um elemento monumental, mas o efeito visual depende tanto da escala quanto da paisagem. Durante a maré cheia, o espaço aquático conecta visualmente o torii aos pavilhões vermelhos e às montanhas cobertas por vegetação ao fundo.
Por que o Santuário de Itsukushima se tornou símbolo dessa região do Japão?
O conjunto foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1996. Seu valor está justamente na integração entre arquitetura humana e paisagem natural: o vermelho das estruturas contrasta com o mar em primeiro plano e as encostas verdes da ilha ao fundo.
O Santuário de Itsukushima também transforma a própria maré em parte da experiência arquitetônica. A construção não flutua de verdade, mas foi posicionada de modo que o movimento natural da água altere sua aparência repetidamente, fazendo do mar um elemento ativo de uma das paisagens religiosas mais reconhecidas do Japão.
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