O fenômeno natural que cria enormes círculos de gelo girando lentamente em rios congelados e pode formar discos quase perfeitamente redondos
Redemoinhos, frio intenso e desgaste natural das bordas explicam como placas de gelo podem se transformar em discos quase perfeitos
Em alguns rios de clima frio, uma placa de gelo pode se desprender, começar a girar devagar e, com o tempo, adquirir um formato surpreendentemente regular. Esse fenômeno é conhecido como disco de gelo ou círculo de gelo, e costuma surgir quando correntes lentas, redemoinhos e frio intenso atuam juntos sobre a superfície parcialmente congelada da água.
O que são esses círculos de gelo observados em rios frios?
Os discos aparecem como placas flutuantes quase circulares que giram lentamente sobre a água. Eles são mais comuns em rios de corrente moderada ou lenta, especialmente em trechos onde o fluxo cria um movimento rotacional estável, como curvas, remansos e áreas próximas a redemoinhos.
Embora pareçam raros ou até artificiais à primeira vista, esses círculos são explicados por processos naturais relativamente bem compreendidos. O gelo se forma na superfície, parte dele se solta ou se acumula em uma área de rotação, e o próprio movimento da água ajuda a organizar a massa congelada em um disco cada vez mais regular.
Como os discos de gelo conseguem ficar tão redondos?
A forma circular surge porque o bloco de gelo gira enquanto encosta nas margens, em outras placas ou no gelo ao redor. Esse atrito funciona como um desgaste contínuo, removendo saliências e suavizando as bordas, de modo parecido com um processo natural de lixamento.
O redemoinho é a peça central desse processo, porque mantém a placa em rotação e evita que ela simplesmente desça rio abaixo. Quando as condições persistem por tempo suficiente, a borda vai sendo aparada até que o disco adquira uma geometria bastante regular.
- Um trecho do gelo se desprende ou se concentra em um redemoinho.
- A corrente cria rotação lenta e relativamente constante.
- As bordas batem no gelo ao redor ou nas margens.
- O atrito desgasta as irregularidades e arredonda o bloco.
Este vídeo mostra um grande disco girando em um rio e ajuda a visualizar o fenômeno em ação.
Por que esses discos giram lentamente mesmo sem vento forte?
O principal motor da rotação é a própria água. Em muitos casos, o disco se forma dentro de um redemoinho, onde a corrente já está girando naturalmente. Assim, o gelo apenas acompanha esse movimento circular e continua rodando enquanto o fluxo se mantém estável.
Experimentos de laboratório também sugerem que o derretimento pode reforçar a rotação. A água muito fria liberada pelo disco tende a afundar e pode gerar um pequeno vórtice sob a placa, ajudando a sustentar o movimento. Isso significa que o giro não depende apenas do rio, mas também das propriedades físicas da água perto do ponto de fusão.
Os discos de gelo são realmente raros?
Eles não são comuns, mas também não pertencem ao campo do mistério. Há registros históricos desde o século XIX, e o fenômeno já foi observado em diferentes países frios, especialmente na América do Norte e no norte da Europa. O que varia bastante é o tamanho e a perfeição geométrica de cada disco.
O que torna esses eventos incomuns é a combinação exata de fatores necessária para que tudo funcione ao mesmo tempo. É preciso temperatura adequada, gelo superficial, corrente suficientemente lenta para permitir estabilidade e, ao mesmo tempo, movimento suficiente para gerar rotação e desgaste das bordas.

Quais números ajudam a entender os discos de gelo?
A maioria dos discos observados costuma ter poucos metros, mas alguns casos chamaram atenção por atingir dezenas de metros de diâmetro. Um dos exemplos mais famosos surgiu em Westbrook, no estado do Maine, em 2019, com cerca de 90 metros de diâmetro, mostrando como o fenômeno pode ganhar escala impressionante quando as condições favorecem sua formação.
Quem quiser uma explicação acessível sobre esse caso pode consultar a reportagem da Time sobre o grande disco de gelo do Maine, que resume bem a relação entre redemoinho, desgaste das bordas e rotação. Estudos experimentais mais recentes também indicam que discos menores podem girar em torno de 1 grau por segundo em certas condições controladas.
| Aspecto | Dado aproximado |
|---|---|
| Ambiente típico | Rios frios com redemoinhos ou remansos |
| Tamanho comum | Poucos metros de diâmetro |
| Grande caso famoso | Cerca de 90 m no Maine em 2019 |
| Velocidade observada em estudos | Em torno de 1 grau por segundo |
O que esse fenômeno revela sobre a água, o frio e o movimento?
Os discos de gelo mostram como padrões visuais muito marcantes podem surgir de interações físicas relativamente simples. Corrente, temperatura, densidade da água e atrito entre superfícies congeladas atuam juntos e produzem uma forma que parece planejada, mas é inteiramente natural.
Mais do que uma curiosidade de inverno, esse fenômeno ajuda a ilustrar princípios de dinâmica dos fluidos e formação do gelo. Ele lembra que rios congelados não são ambientes imóveis, porque mesmo sob frio intenso a água continua em movimento, reorganizando o gelo e, às vezes, desenhando círculos quase perfeitos sobre a superfície.
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