A cidade onde centenas de macacos vivem entre templos antigos e aprenderam a conviver diariamente com moradores e visitantes
Na Tailândia, macacos-de-cauda-longa transformaram templos e ruas históricas em território compartilhado com moradores e turistas
Na Tailândia, Lopburi ficou conhecida por uma convivência incomum entre pessoas e primatas que circulam pelo centro histórico, especialmente perto de antigos monumentos. Os macacos de Lopburi são principalmente macacos-de-cauda-longa, Macaca fascicularis, animais que durante décadas ocuparam templos, calçadas, telhados e estabelecimentos, aproximando-se cada vez mais dos seres humanos graças à oferta constante de alimento.
Por que os macacos de Lopburi passaram a viver no centro da cidade?
Um dos principais pontos de concentração é Phra Prang Sam Yot, complexo de três torres de laterita associado à arquitetura Khmer dos séculos XII e XIII. O monumento fica integrado ao tecido urbano de Lopburi, permitindo que os animais circulem facilmente entre ruínas, ruas, prédios e outros locais próximos.
Essa população não vive apenas dentro do templo. Levantamentos científicos identificaram vários grupos ocupando diferentes pontos da cidade antiga, incluindo mercados e edifícios. Um estudo baseado em dados anteriores estimou cerca de 2.080 indivíduos distribuídos em sete áreas urbanas, mostrando que a relação entre macacos e cidade ultrapassou havia muito tempo os limites de uma atração turística.
Como os macacos de Lopburi aprenderam a conviver com tantas pessoas?
A proximidade foi reforçada pela alimentação oferecida por moradores, comerciantes e turistas. Os macacos passaram a associar pessoas a fontes acessíveis de comida, aprendendo a circular por locais movimentados e até a retirar objetos ou alimentos diretamente das mãos. Esse comportamento não significa domesticação, mas adaptação de animais selvagens a um ambiente urbano altamente previsível.
A convivência também gerou comportamentos culturais curiosos. Pesquisadores documentaram macacos de Phra Prang Sam Yot utilizando fios de cabelo humano como uma espécie de fio dental, prática observada com frequência em determinado grupo e considerada um exemplo de comportamento social aprendido em condições muito particulares.
- Os animais ocupam templos, edifícios e áreas comerciais.
- A oferta humana de alimentos favoreceu a aproximação.
- Alguns indivíduos aprenderam comportamentos associados à presença humana.
- A convivência também trouxe roubos, acidentes e conflitos.
Este vídeo mostra a relação entre os macacos, as ruínas históricas e o cotidiano urbano de Lopburi.
A convivência entre pessoas e macacos sempre foi tranquila?
Não. Durante muito tempo, os animais foram vistos como símbolo cultural e importante atração turística, mas o crescimento da população intensificou problemas como furtos de comida, danos a propriedades e confrontos. Depois da pandemia de Covid-19, a redução temporária de visitantes e da alimentação oferecida por turistas tornou esses conflitos ainda mais evidentes.
Relatos registrados em 2024 mostraram macacos entrando em estabelecimentos, tomando objetos e alimentos e obrigando moradores a modificar sua rotina. Isso levou autoridades tailandesas a ampliar programas de esterilização, captura e transferência, mostrando que “conviver” não significa uma relação sempre harmoniosa entre pessoas e animais selvagens.
Ainda existem milhares de macacos livres pelas ruas atualmente?
A situação mudou significativamente a partir de 2024. Antes das grandes operações de controle, estimativas jornalísticas mencionavam aproximadamente 3.000 macacos-de-cauda-longa vivendo ao lado dos moradores da cidade. Até novembro daquele ano, cerca de 1.600 já haviam sido capturados e transferidos para áreas controladas.
Um estudo publicado em julho de 2026 analisou justamente os efeitos dessa transferência parcial no centro antigo. Os pesquisadores encontraram mudanças significativas na rotina dos moradores, que passaram a evitar menos determinadas rotas e permanecer mais tempo em espaços públicos, indicando redução perceptível dos conflitos após a intervenção.

Quais números ajudam a entender os macacos de Lopburi?
Um levantamento científico registrou sete grupos de Macaca fascicularis distribuídos por apenas cerca de 0,09 quilômetro quadrado da cidade antiga. Nesse estudo, aproximadamente 700 indivíduos estavam associados à área de Prang Sam Yot, enquanto centenas de outros ocupavam mercado, hotel, estação e edifícios próximos.
A dimensão histórica e turística da cidade também ajuda a explicar essa proximidade. A autoridade oficial de turismo tailandesa apresenta Phra Prang Sam Yot e o santuário Phra Kan como atrações centrais de Lopburi, inclusive mencionando os macacos entre as características locais. Turismo oficial de Lopburi.
| Indicador | Dado documentado |
|---|---|
| Espécie predominante | Macaca fascicularis |
| Estimativa antiga no centro estudado | Cerca de 2.080 indivíduos |
| Grupos urbanos estudados | 7 grupos |
| Capturados até novembro de 2024 | Cerca de 1.600 |
Por que Lopburi continua sendo um caso importante de convivência com animais?
A cidade mostra como animais inteligentes e oportunistas conseguem adaptar seu comportamento rapidamente quando encontram alimento, abrigo e tolerância humana. Para pesquisadores, Lopburi tornou-se um exemplo valioso de interface entre primatas selvagens e ambientes urbanos, inclusive para estudar aprendizagem, comportamento social e conflitos entre fauna e população.
Ao mesmo tempo, o caso demonstra os limites dessa aproximação. Alimentar macacos pode modificar sua distribuição e aumentar comportamentos indesejados, exigindo posteriormente manejo populacional complexo. Lopburi continua famosa por seus primatas e templos históricos, mas hoje sua história também é uma lição sobre como a convivência com animais selvagens precisa ser administrada com cautela.
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