O pássaro que percorre dezenas de milhares de quilômetros todos os anos e realiza uma das maiores migrações conhecidas do planeta
Uma pequena ave marinha atravessa oceanos entre o norte e a Antártida e pode acumular milhões de quilômetros durante a vida
Entre as aves migratórias, poucas viagens se comparam à realizada pela andorinha-do-mar-ártica, Sterna paradisaea. A andorinha-do-mar-ártica percorre regularmente dezenas de milhares de quilômetros entre regiões próximas ao Ártico e águas antárticas, acompanhando longos períodos de luz e áreas oceânicas produtivas. Rastreamentos modernos mostraram trajetos anuais superiores a 70 mil quilômetros em algumas populações.
Por que a andorinha-do-mar-ártica realiza uma viagem tão longa?
A espécie se reproduz em altas latitudes do Hemisfério Norte, incluindo regiões da Europa, Groenlândia, Islândia e América do Norte. Depois da reprodução, parte em direção ao sul e alcança águas próximas à Antártida, onde passa outro período de verão antes de iniciar a viagem de retorno.
Essa rota permite aproveitar sucessivamente ambientes com dias longos e grande disponibilidade de alimento. Em vez de seguir uma linha reta entre os polos, as aves acompanham ventos, correntes oceânicas e áreas onde peixes e pequenos organismos marinhos são mais abundantes, tornando a trajetória muito maior do que a distância geográfica direta.
Como a andorinha-do-mar-ártica consegue percorrer tantos quilômetros?
O corpo leve, as asas relativamente longas e a capacidade de aproveitar ventos favoráveis ajudam a reduzir o custo energético dos deslocamentos. A ave não permanece voando sem parar durante toda a jornada, mas alterna deslocamentos rápidos com períodos de alimentação e permanência em regiões oceânicas produtivas.
Um estudo com geolocalizadores instalados em aves da Groenlândia e da Islândia revelou uma distância média anual de aproximadamente 70.900 quilômetros. Os indivíduos acompanhados não seguiram exatamente a mesma trajetória, demonstrando que a migração depende também de condições ambientais encontradas durante cada viagem.
- A viagem ocorre entre altas latitudes do norte e águas antárticas.
- Os animais utilizam ventos favoráveis para economizar energia.
- Paradas e desvios permitem encontrar áreas melhores para alimentação.
- O trajeto anual pode superar 70 mil quilômetros em aves monitoradas.
Este vídeo apresenta a extraordinária migração da espécie e o trabalho usado para acompanhar sua rota.
A viagem acontece diretamente de um polo ao outro?
Não. Os rastreamentos mostraram que as aves realizam grandes curvas sobre os oceanos. Na migração para o sul, indivíduos estudados passaram pelo Atlântico e utilizaram áreas próximas à costa oeste da África antes de avançar em direção às regiões subantárticas e antárticas.
No retorno ao norte, o movimento pode ser mais rápido. No estudo publicado em 2010, a etapa de retorno da Antártida para o sul da Groenlândia levou em média cerca de 40 dias, enquanto a viagem em direção ao sul havia sido mais lenta e incluído mais períodos de alimentação.
Todas essas aves percorrem exatamente a mesma distância?
Não. A distância varia conforme a população, o ano e a rota utilizada. O estudo com aves da Groenlândia e Islândia encontrou trajetos anuais entre aproximadamente 59.500 e 81.600 quilômetros, com média de 70.900 quilômetros, mostrando uma variação expressiva entre indivíduos.
Pesquisas posteriores encontraram outras estratégias migratórias e trajetórias anuais próximas de 50 mil quilômetros em determinados grupos. Por isso, afirmar que cada indivíduo percorre sempre uma distância fixa seria incorreto. O que permanece extraordinário é a escala da viagem repetida durante muitos anos de vida.

Quais números mostram a migração da andorinha-do-mar-ártica?
No estudo clássico realizado com geolocalizadores, a viagem para o sul teve média de 34.600 quilômetros, enquanto o retorno ao norte somou cerca de 25.700 quilômetros. Outros 10.900 quilômetros, em média, foram percorridos durante movimentos na região onde as aves permaneceram no período não reprodutivo.
A British Trust for Ornithology informa que a espécie pesa pouco mais de 100 gramas e pode viver por mais de três décadas. Esse conjunto permite imaginar uma distância acumulada gigantesca ao longo da vida. Mais informações sobre a biologia da espécie podem ser consultadas no perfil da Arctic Tern no BTO.
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Distância anual média estudada | 70.900 km |
| Migração para o sul | 34.600 km |
| Migração para o norte | 25.700 km |
| Peso médio de adultos no BTO | Cerca de 104 g |
Por que essa migração é tão importante para a ciência?
A viagem da espécie oferece aos pesquisadores uma oportunidade de estudar como aves utilizam ventos, correntes, disponibilidade de alimento e sinais ambientais para navegar por praticamente todo o planeta. Geolocalizadores minúsculos transformaram esse campo ao revelar rotas muito mais complexas do que aquelas inferidas apenas por observações e anilhas.
Esses dados também ajudam a entender os efeitos de mudanças climáticas e alterações nos oceanos sobre animais migratórios. Como a espécie depende de diferentes regiões durante o mesmo ciclo anual, mudanças em áreas muito distantes podem afetar sua sobrevivência, mostrando que conservar uma ave viajante exige proteger uma rede de ambientes espalhados pelo mundo.
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