Caranguejos violinistas de Urabá fragmentam microplásticos que podem ser uma nova fonte de poluição, aponta estudo
Pequenos canguejos do Caribe colombiano ingerem grandes quantidades de plástico e podem transformar as partículas em fragmentos ainda menores, capazes de circular com mais facilidade pelo ambiente
Um estudo realizado nos manguezais urbanos de Turbo, no Golfo de Urabá, na Colômbia, revelou um fenômeno que pode mudar a forma como os cientistas enxergam a contaminação por plástico. Os chamados caranguejos violinistas não apenas ingerem microplásticos acumulados no lodo como também podem fragmentá-los dentro do organismo, criando partículas menores que permanecem no ambiente.
Como os caranguejos violinistas entram em contato com o plástico?
Os animais vivem entre as raízes dos manguezais e passam boa parte do dia removendo sedimentos para encontrar matéria orgânica e microrganismos. O problema é que o mesmo lodo contém partículas plásticas carregadas pelos rios, pelas cidades e pelo mar.
Durante o experimento, realizado ao longo de 66 dias, os pesquisadores observaram que 91 dos 95 caranguejos violinistas analisados haviam incorporado microesferas de polietileno.
A quantidade encontrada nos animais foi, em média, mais de 13 vezes superior à concentração disponível na superfície do sedimento.
O que o estudo descobriu sobre a fragmentação dos microplásticos?
A descoberta mais surpreendente apareceu dentro dos próprios canguejos. Cerca de 15% das microesferas ingeridas estavam fraturadas, indicando que o plástico pode ser quebrado durante sua passagem pelo organismo.
Os pesquisadores acreditam que estruturas rígidas presentes no sistema digestivo desses crustáceos podem participar do processo.
Ainda não foi possível determinar exatamente onde a fragmentação ocorre nem confirmar uma eventual participação de bactérias na degradação.

Por que transformar o plástico em partículas menores pode ser ainda pior?
A fragmentação não significa que o plástico desapareceu. Pelo contrário: ela pode produzir partículas mais difíceis de detectar e capazes de atravessar com maior facilidade barreiras biológicas de outros organismos.
Os principais riscos levantados pela pesquisa envolvem:
O que pode acontecer com outros animais do manguezal?
Os canguejos violinistas fazem parte da cadeia alimentar e servem de alimento para aves e peixes.
Como a região também possui atividade pesqueira, os pesquisadores alertam que o fenômeno pode ter consequências que vão muito além dos próprios crustáceos.
Ainda são necessários novos estudos para determinar os efeitos da ingestão e da fragmentação dos plásticos sobre a saúde dos animais.
A pesquisa, portanto, não prova que os canguejos estejam sofrendo danos graves, mas revela um mecanismo até então pouco conhecido.
Por que essa descoberta nos caranguejos violinistas acende um alerta para os manguezais?
Os manguezais funcionam como barreiras naturais, protegendo a costa, retendo sedimentos e servindo de abrigo e área de reprodução para inúmeras espécies. Ao mesmo tempo, essa capacidade faz com que resíduos plásticos fiquem presos entre suas raízes.
O estudo mostra que o plástico não simplesmente desaparece depois de chegar ao ambiente. Ele pode ser ingerido, fragmentado e continuar circulando pela cadeia ecológica.
Para os cientistas, entender esse caminho é essencial para avaliar o verdadeiro alcance da contaminação no Golfo de Urabá.
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