A ilha que aumenta e diminui de tamanho naturalmente conforme erupções vulcânicas constroem novas áreas e o oceano destrói outras
Erupções acrescentam novas terras enquanto ondas e tempestades redesenham continuamente a costa dessa ilha japonesa
No Pacífico ocidental, a cerca de 1.000 quilômetros ao sul de Tóquio, existe uma ilha cujo contorno pode mudar de maneira impressionante em poucas décadas, pois a ilha Nishinoshima cresce quando novas lavas chegam ao mar e perde partes da costa quando ondas e tempestades desgastam o terreno vulcânico recém-formado.
Como a ilha Nishinoshima consegue mudar tanto de tamanho?
Nishinoshima é a parte que emerge acima do oceano de um grande vulcão submarino do arquipélago japonês de Ogasawara, e registros geológicos mostram que erupções em 1973 e 1974 criaram novas porções de terra que acabaram se unindo à ilha anteriormente existente.
Décadas depois, uma nova fase começou em novembro de 2013, quando uma erupção submarina formou um pequeno ilhote ao lado de Nishinoshima, que cresceu com a chegada de lava e se conectou à ilha principal em dezembro daquele mesmo ano.
O que acontece quando a lava alcança o oceano?
Quando fluxos de lava avançam além da antiga linha costeira, o material quente entra em contato com a água, esfria e forma rocha sólida, permitindo que partes antes ocupadas pelo mar passem a integrar a superfície emersa e alterem rapidamente o desenho da costa.
Entre 2013 e 2015 esse mecanismo ampliou Nishinoshima de aproximadamente 0,29 para 2,63 quilômetros quadrados, enquanto novas erupções em 2017 e, principalmente, entre 2019 e 2020 acrescentaram mais material ao edifício vulcânico.
- Lava atravessa a antiga linha costeira e ocupa áreas do mar;
- O material esfria e consolida novas superfícies rochosas;
- Cinzas e fragmentos vulcânicos também modificam o relevo;
- Ondas começam imediatamente a retrabalhar as novas margens.
Este vídeo mostra o crescimento de Nishinoshima provocado pelas erupções e pelos sucessivos fluxos de lava.
Por que a ilha Nishinoshima também pode diminuir?
Quando as erupções diminuem ou cessam, o oceano passa a exercer papel dominante sobre alguns trechos recém-formados, sobretudo onde existem depósitos fragmentados e pouco resistentes, permitindo que ondas, correntes e tempestades removam sedimentos ou provoquem o recuo da linha de costa.
Esse processo já foi medido após as erupções da década de 1970, quando pesquisadores registraram redução da ilha e recuo máximo de aproximadamente 170 metros em uma parte da costa sul entre agosto de 1974 e maio de 1977.
A erosão consegue desfazer tudo o que o vulcão construiu?
Nem todas as novas áreas apresentam a mesma vulnerabilidade, porque depósitos soltos de cinzas e fragmentos podem desaparecer rapidamente, enquanto grandes fluxos de lava solidificada tendem a produzir uma base mais resistente, embora suas extremidades também possam ser quebradas e retrabalhadas pelas ondas.
Estudos das erupções recentes mostram ainda que erosão e sedimentação podem ocorrer simultaneamente, removendo terreno de um setor e formando praias em outro, por isso a ilha não simplesmente encolhe de maneira uniforme e seu contorno pode ficar progressivamente mais arredondado.

Quanto a ilha Nishinoshima já cresceu?
Antes da fase iniciada em 2013, Nishinoshima tinha cerca de 0,2 a 0,3 quilômetro quadrado, mas sucessivos episódios eruptivos ampliaram enormemente sua superfície, com estudos indicando cerca de 4,4 quilômetros quadrados ao final da intensa atividade de 2020.
Os números variam conforme a data e o método de levantamento, mas a sequência documentada pelo Global Volcanism Program do Smithsonian Institution mostra claramente que a construção vulcânica superou em muito as dimensões da antiga ilha, apesar da ação constante da erosão costeira.
| Período | Mudança observada |
|---|---|
| Antes de 2013 | Cerca de 0,2 a 0,3 km² |
| 2015 | Aproximadamente 2,63 km² |
| 2017 | Cerca de 3 km² |
| 2020 | Até cerca de 4,4 km² |
Por que acompanhar essa ilha é importante para a ciência?
Nishinoshima oferece uma oportunidade rara de observar praticamente em tempo real como uma ilha vulcânica é construída, erodida e remodelada, permitindo acompanhar a interação entre erupções, fluxos de lava, depósitos de cinzas, ondas, correntes marinhas e processos de sedimentação.
Ela também mostra por que dizer que uma ilha vulcânica apenas “cresce” é simplificar demais o processo, pois sua superfície representa um equilíbrio continuamente alterado entre o material produzido pelo vulcão e o trabalho erosivo do oceano, com períodos de expansão rápida intercalados por fases de remodelação ou redução costeira.
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