Guerra no Oriente Médio força Europa a subir juros de novo
Segunda alta de juros do BCE em 2026 reflete impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã nos preços de energia e inflação
O Banco Central Europeu elevou nesta quinta-feira sua taxa de juros em 25 pontos-base, para 2,50% ao ano, decisão amplamente esperada pelo mercado diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
O aumento é o segundo do ano, depois da alta de junho, que interrompeu uma sequência de cortes. Em julho, a autoridade monetária havia pausado o ciclo, mantendo os juros estáveis enquanto acompanhava os efeitos de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que havia derrubado os preços do petróleo.
O acordo, porém, durou pouco. Nos meses seguintes, os ataques entre os dois países se intensificaram, fechando na prática o Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros e reduzindo o fluxo de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
Como resultado, o petróleo Brent voltou a superar 100 dólares o barril nesta semana, pressionando os custos de energia na zona do euro, bloco que depende fortemente de importações do produto.
Dados divulgados antes da decisão mostraram que a inflação na região chegou a 3,3% em agosto, acima da meta de 2% do banco central, com os preços de energia subindo 14,3% no mesmo período.
Em comunicado, o BCE afirmou que o conflito no Oriente Médio segue gerando pressões inflacionárias e que os preços devem permanecer bem acima da meta por um período prolongado.
As novas projeções da instituição indicam inflação média de 3,0% neste ano, com recuo para 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028.
Em coletiva de imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que o choque energético causado pela guerra pode se intensificar ainda mais e que seus efeitos sobre outros preços e salários podem superar o previsto.
Ela classificou a economia da zona do euro como resiliente, citando o mercado de trabalho robusto e a recuperação do setor de serviços. Analistas avaliaram o tom do comunicado como mais rígido que o esperado e passaram a projetar a possibilidade de mais um aumento de juros ainda em 2026.
Após o anúncio, o rendimento dos títulos alemães de 10 anos se aproximou do maior nível desde a crise da zona do euro em 2011.
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