EUA classificam grupo equatoriano como terrorista
Governo americano amplia apoio financeiro ao Equador para combate ao narcotráfico, durante visita de Marco Rubio a Quito
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nesta semana em Quito a inclusão da facção criminosa Los Tiguerones na lista americana de organizações terroristas, além de um novo pacote de assistência de segurança ao governo equatoriano.
O anúncio ocorreu durante encontro com o presidente Daniel Noboa, na segunda etapa de uma viagem do chefe da diplomacia americana por países sul-americanos considerados próximos ao governo de Donald Trump.
Facção surgiu de cisão em 2020
Los Tiguerones nasceu como um desmembramento de outro cartel, Los Choneros, responsável por ataques contra civis, agentes de segurança e profissionais de imprensa, entre eles a invasão ao estúdio de uma emissora de TV em Guayaquil em 2024, episódio ligado à fuga do líder dos Choneros, Adolfo Macías, conhecido como “Fito” e hoje extraditado para os Estados Unidos.
Com a nova designação, sobem para quatro os grupos equatorianos classificados como terroristas por Washington, somando-se também a Los Lobos e Chone Killers. Ao justificar a medida, Rubio afirmou: “Não estamos falando de uma máfia comum, não estamos falando de criminosos; estamos falando de terroristas que, em muitos casos, realmente possuem armas e equipamentos semelhantes aos de um exército nacional”.
Governo equatoriano recebe reforço militar
O Equador enfrenta uma escalada de violência associada ao tráfico internacional de drogas. De acordo com os dados apresentados, a taxa de homicídios do país alcançou 51 casos por 100 mil habitantes em 2025, com boa parte dos crimes articulada a partir de presídios superlotados.
Rubio classificou Noboa como o principal parceiro da região no enfrentamento ao crime organizado transnacional e anunciou a doação de uma embarcação da Guarda Costeira americana, além de cinco barcos menores voltados à fiscalização marítima.
Também foi prometido um pacote adicional de 45 milhões de dólares em ajuda de segurança, condicionado à aprovação do Congresso dos Estados Unidos, somado a outros 10 milhões destinados ao combate à mineração ilegal. O valor se junta a um repasse anterior de 20 milhões de dólares, voltado à aquisição de drones.
Viagem inclui outras paradas na região
A passagem por Quito integra um giro sul-americano que já havia levado Rubio à Colômbia, onde se reuniu com o presidente colombiano recém-eleito. O americano destacou ali interesses comuns no combate ao terrorismo criminoso e em pautas econômicas, descrevendo uma tendência regional de aproximação com Washington.
O itinerário previa ainda uma etapa no Peru, com encontro marcado com a presidente peruana. A relação comercial entre o país andino e a China também apareceu como pauta sensível da viagem, em meio ao interesse americano em reduzir a influência chinesa na região.
Em texto publicado em veículo peruano, Rubio questionou a transparência de projetos chineses no Peru, argumento rebatido pela embaixada da China em Lima, que acusou Washington de impor restrições a vistos de cidadãos peruanos.
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