Trump prevê fim da guerra com Irã em novembro
Presidente dos EUA associa desfecho do conflito ao pleito legislativo e acusa Teerã de tentar interferir no resultado
Guerra entre Estados Unidos e Irã deve chegar ao fim logo após as eleições legislativas de 3 de novembro, afirmou nesta quarta-feira, 9, Donald Trump, ao acusar o regime iraniano de tentar interferir no pleito.
A declaração foi dada a jornalistas antes de embarque do presidente americano rumo ao Texas, onde participaria de uma convenção do Partido Republicano.
Acusação de interferência eleitoral
Segundo Trump, o Irã tentaria prolongar as hostilidades na expectativa de alterar a composição do Congresso americano, favorecendo parlamentares dispostos a permitir avanços do país persa rumo à obtenção de armamento nuclear.
“Acredito que a guerra vai terminar imediatamente depois das eleições, porque eles não conseguem mais resistir”, disse o presidente.
O republicano classificou a postura iraniana como um esforço deliberado de pressão sobre o calendário eleitoral americano:“Estão desesperados para tentar influenciar as eleições”, declarou.
O conflito, deflagrado em 28 de fevereiro por forças dos Estados Unidos e de Israel, já dura sete meses. Nesta quarta, o Irã afirmou ter atingido dez embarcações no Estreito de Ormuz, via marítima estratégica para o escoamento de petróleo, em resposta ao afundamento de cinco petroleiros ligados ao país por tropas americanas.
O episódio provocou reação imediata no mercado de energia: o barril do petróleo tipo Brent ultrapassou os 100 dólares, patamar não visto desde julho.
Preços de combustíveis e cenário eleitoral
Trump previu queda nos preços da energia assim que a guerra terminar. Segundo o presidente, o valor do galão de gasolina, hoje acima de quatro dólares, poderia recuar para menos de dois dólares após o fim das hostilidades.
Questionado sobre a possibilidade de retomar negociações diplomáticas com Teerã, o presidente não descartou a hipótese, mas indicou que essa não é a estratégia prioritária de seu governo no momento. “Sim, poderia ocorrer uma negociação, mas não é algo que estejamos buscando”, respondeu.
Washington e Teerã já mantiveram contatos diplomáticos ao longo do conflito, incluindo a assinatura de um memorando de entendimento em junho. O documento, no entanto, não impediu a retomada dos ataques, e o Estreito de Ormuz segue sob impacto direto da confrontação.
O cenário de guerra prolongada ocorre em meio a pressão política sobre os republicanos, que enfrentam desgaste eleitoral associado à alta no custo de vida e nos preços dos combustíveis.
Contato com Putin sobre a Ucrânia
Na mesma ocasião, Trump comentou a conversa telefônica mantida na terça-feira com o ditador russo, Vladimir Putin, sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia. Segundo o americano, Putin demonstrou disposição para fechar um acordo de paz, movimento que classificou como positivo caso o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, adote postura semelhante.
“Ele quer chegar a um acordo, e se Zelensky quiser chegar a um acordo, isso seria muito bom”, afirmou Trump. Ao ser questionado sobre o principal impasse para uma solução negociada, apontou o desgaste pessoal entre os dois líderes como fator determinante. “Mais do que tudo, trata-se de duas pessoas que se odeiam”, disse.
O presidente americano descreveu a conversa com o russo como positiva e sustentou que ambos os lados já demonstram cansaço em relação ao prolongamento do combate. “Sei como funcionam os acordos, e são duas pessoas cansadas de lutar”, concluiu.
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