O mamífero que consegue reduzir drasticamente a temperatura do próprio corpo e passar meses praticamente sem comer durante um dos invernos mais rigorosos do planeta
Durante a hibernação, esse pequeno mamífero reduz metabolismo e temperatura a níveis extraordinários para sobreviver ao inverno ártico
Nas tundras do Alasca, Canadá e Sibéria, um pequeno mamífero enfrenta meses de frio extremo adotando uma estratégia fisiológica impressionante. O esquilo-do-ártico consegue reduzir sua temperatura corporal para valores abaixo de 0 °C durante a hibernação, diminuir drasticamente metabolismo, frequência cardíaca e respiração e permanecer vários meses sem se alimentar, utilizando principalmente a gordura acumulada anteriormente.
Como o esquilo-do-ártico consegue sobreviver a um inverno tão extremo?
O esquilo-do-ártico, Urocitellus parryii, vive em regiões onde o inverno pode significar solo congelado, temperaturas muito abaixo de zero e praticamente nenhuma disponibilidade de alimento vegetal. Em vez de tentar permanecer ativo, ele passa grande parte desse período dentro de tocas subterrâneas em hibernação.
Durante o torpor profundo, sua temperatura corporal pode cair até aproximadamente −2,9 °C. Isso significa que seus tecidos permanecem super-resfriados sem congelar, uma capacidade excepcional entre mamíferos. O metabolismo também despenca, reduzindo enormemente a quantidade de energia necessária para manter o organismo funcionando.
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O que acontece com o organismo durante meses de hibernação?
Hibernar não significa simplesmente dormir continuamente. O animal entra em períodos prolongados de torpor, nos quais temperatura, batimentos cardíacos, respiração e consumo energético ficam extremamente reduzidos. Esses episódios podem durar cerca de duas a três semanas antes de serem interrompidos por breves despertares fisiológicos.
Durante esses despertares, a temperatura corporal volta temporariamente para valores próximos dos normais e depois cai novamente. Produzir esse reaquecimento exige bastante energia, mas o processo se repete diversas vezes durante a estação de hibernação e parece ser parte normal da fisiologia desses animais.
- A temperatura corporal pode cair abaixo de 0 °C.
- O coração passa a bater apenas algumas vezes por minuto durante o torpor profundo.
- A respiração ocorre de maneira muito espaçada.
- A hibernação pode ocupar cerca de sete a nove meses do ano.
Este vídeo da BBC Earth mostra como esse mamífero enfrenta o rigoroso inverno do Alasca por meio de uma das hibernações mais extremas conhecidas.
Como o esquilo-do-ártico passa tantos meses praticamente sem comer?
Antes do inverno, o animal acumula grandes reservas de gordura. Uma pesquisa da Universidade do Alasca indica que essas reservas podem representar entre 25% e 50% da massa corporal e funcionam como principal combustível durante até aproximadamente oito meses de jejum e inatividade.
A capacidade de atravessar esse período praticamente sem comer também chama atenção porque a perda muscular é menor do que seria esperada em um mamífero submetido a imobilidade prolongada. Pesquisadores investigam esses mecanismos justamente para compreender como músculos e outros tecidos são preservados durante meses de jejum. A Universidade do Alasca descreve essas adaptações em pesquisas realizadas com a espécie.
A temperatura abaixo de zero significa que o animal congela?
Não. A água normalmente congela a 0 °C em condições comuns, mas líquidos corporais podem permanecer em estado super-resfriado quando não ocorre a formação de cristais de gelo. No esquilo, essa condição permite que a temperatura interna caia ligeiramente abaixo de zero sem que os tecidos se transformem em gelo.
Existe, porém, um limite. O animal mantém controle fisiológico sobre a temperatura durante o torpor e aumenta a produção de calor quando necessário. Estudos experimentais mostram que esses esquilos conseguem defender uma diferença térmica de aproximadamente 26 °C entre o corpo e o ambiente durante a hibernação.

Quais números mostram o extremo dessa hibernação?
Os valores observados deixam claro que não se trata apenas de um sono prolongado. Fêmeas podem permanecer subterrâneas por períodos ainda maiores do que machos e indivíduos jovens, enquanto episódios individuais de torpor podem se estender por cerca de 18 a 21 dias.
O intervalo térmico anual também é impressionante. Trabalhos da Universidade do Alasca registram temperaturas corporais próximas de −3 °C durante o torpor e chegando perto de 40 °C em períodos ativos, produzindo uma amplitude fisiológica superior a 40 °C.
| Característica | Valor observado |
|---|---|
| Temperatura mínima corporal | Cerca de −2,9 °C |
| Hibernação anual | Cerca de 7 a 9 meses |
| Duração de um torpor | Até cerca de 18 a 21 dias |
| Gordura antes do inverno | Até cerca de 25% a 50% da massa |
Por que o esquilo-do-ártico interessa tanto aos pesquisadores?
A capacidade de reduzir metabolismo, permanecer imóvel durante meses e depois recuperar rapidamente funções normais transforma essa espécie em um importante modelo para estudos fisiológicos. Cientistas investigam especialmente preservação muscular, controle térmico, metabolismo da gordura e os mecanismos responsáveis pelo reaquecimento periódico.
Essas descobertas não significam que humanos possam simplesmente reproduzir o mesmo estado. A fisiologia da hibernação resulta de adaptações evolutivas específicas. Ainda assim, entender como esse pequeno mamífero protege órgãos e tecidos durante frio, jejum e inatividade extremos pode revelar mecanismos biológicos úteis para pesquisas médicas futuras.
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