O animal microscópico capaz de sobreviver ao congelamento, à falta de água e até a condições semelhantes às encontradas no espaço
A criptobiose permite que esses pequenos animais reduzam drasticamente sua atividade e resistam temporariamente a condições ambientais extremas
Menores que um grão de areia em muitas espécies e donos de oito pequenas pernas, os tardígrados conquistaram fama por tolerar condições que matariam quase qualquer animal. O tardígrado pode enfrentar desidratação extrema, congelamento, doses elevadas de radiação e até exposição ao vácuo espacial quando entra em estados fisiológicos especiais. Isso não significa que seja indestrutível: sua resistência depende da espécie, do estado do animal e do tipo e duração da exposição.
O que é um tardígrado e onde esse animal microscópico vive?
Tardígrados, conhecidos em inglês como “water bears”, são animais segmentados pertencentes ao filo Tardigrada. A maioria mede frações de milímetro, embora algumas espécies possam ultrapassar 1 milímetro. Eles vivem associados a filmes de água encontrados em musgos, líquens, solos úmidos, sedimentos e ambientes aquáticos.
Embora pequenos, não são bactérias nem organismos unicelulares. Possuem sistema digestório, músculos, sistema nervoso e quatro pares de pernas terminadas em garras. O extraordinário surge quando as condições ficam desfavoráveis e algumas espécies conseguem reduzir drasticamente sua atividade metabólica até que o ambiente volte a permitir funcionamento normal.
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Como o tardígrado sobrevive quando praticamente não existe água?
Uma das estratégias mais conhecidas é a anidrobiose, forma de criptobiose desencadeada pela perda extrema de água. O animal retrai as pernas e assume uma configuração compacta chamada “tun”. Nesse estado, processos metabólicos ficam extremamente reduzidos e moléculas e proteínas especiais ajudam a proteger membranas e estruturas celulares contra os danos provocados pela dessecação.
Quando a água retorna, determinados tardígrados podem se reidratar e recuperar a atividade. A capacidade varia muito entre espécies e condições experimentais, portanto não existe um período universal de sobrevivência. Ainda assim, experimentos demonstram que alguns suportam anos de dessecação antes de voltar ao estado ativo.
- O corpo perde grande parte de sua água.
- As pernas se retraem e surge a forma compacta de tun.
- O metabolismo cai drasticamente.
- Proteínas ajudam a estabilizar componentes celulares.
- A reidratação pode restaurar a atividade do animal.
Este vídeo apresenta tardígrados enviados à Estação Espacial Internacional e explica por que cientistas estudam sua resistência.
O que acontece quando esses animais enfrentam congelamento extremo?
Alguns tardígrados conseguem entrar em estados de criptobiose associados ao frio e suportar congelamento intenso. Relatos experimentais incluem exposições a temperaturas próximas do zero absoluto por períodos controlados, embora sobreviver brevemente a uma temperatura extrema em laboratório seja muito diferente de viver normalmente nessas condições.
A resistência também depende da velocidade de resfriamento, duração da exposição, disponibilidade de água e espécie examinada. O ponto importante é que o animal não permanece ativo andando ou se alimentando em temperaturas extremas: ele reduz sua atividade fisiológica e tolera temporariamente condições incompatíveis com sua vida normal.
O tardígrado realmente consegue sobreviver no espaço?
Sim, essa capacidade foi testada diretamente. Em setembro de 2007, aproximadamente 3.000 tardígrados participaram do experimento TARDIS na missão Foton-M3. Durante 12 dias em órbita terrestre baixa, grupos foram submetidos ao vácuo espacial e, em alguns tratamentos, à radiação solar sem a proteção normal da atmosfera terrestre.
Os pesquisadores constataram alta sobrevivência ao vácuo, e alguns indivíduos também se recuperaram depois da combinação de vácuo e radiação solar. Isso não significa que tardígrados possam viver indefinidamente expostos no espaço. O relato da Agência Espacial Europeia sobre o experimento TARDIS destaca justamente que a exposição foi experimental e limitada.

Que números mostram os limites impressionantes desses animais?
A ESA registra que as maiores espécies ultrapassam ligeiramente 1 milímetro, enquanto muitas são consideravelmente menores. No experimento espacial de 2007, cerca de 3.000 indivíduos permaneceram 12 dias em órbita. A agência também relata tolerância experimental a temperaturas extremamente baixas e ausência prolongada de água em determinadas espécies.
Esses valores, porém, não devem virar uma lista de “superpoderes” universais. Tardígrados podem morrer por calor, radiação, pressão, desidratação ou congelamento quando os limites específicos são ultrapassados. Diferentes espécies possuem capacidades distintas, e condições de laboratório não representam necessariamente aquilo que o animal enfrentaria na natureza.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Tamanho máximo citado pela ESA | Pouco mais de 1 mm |
| Missão espacial | Foton-M3 |
| Duração da exposição orbital | 12 dias |
| Animais enviados no experimento | Cerca de 3.000 |
Por que estudar esse animal pode ajudar pesquisas espaciais?
A NASA investiga tardígrados porque entender como suas células respondem à desidratação, radiação e outros estresses pode revelar mecanismos biológicos úteis para pesquisas sobre proteção celular. Em 2021, o experimento Cell Science-04 levou tardígrados à Estação Espacial Internacional para analisar alterações moleculares durante a adaptação ao ambiente espacial.
Esses estudos não significam que humanos poderão adquirir a resistência dos tardígrados. O interesse está em compreender estratégias naturais de proteção de proteínas, membranas e DNA. Um animal microscópico que consegue praticamente suspender sua atividade para atravessar condições extremas tornou-se, assim, um modelo para investigar os próprios limites da vida.
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