A cidade que foi abandonada depois que o solo começou a queimar e um incêndio subterrâneo continuou ativo por décadas sem ser totalmente apagado
Fogo iniciado em antigas minas de carvão levou à retirada de moradores e transformou Centralia em um caso extremo de abandono urbano
Na Pensilvânia, nos Estados Unidos, existe um caso em que o problema não ficou visível apenas na superfície. O incêndio em Centralia transformou uma cidade mineradora em um lugar quase vazio, depois que o fogo alcançou antigas galerias de carvão sob o subsolo e passou a liberar calor, fumaça, gases e subsidências por décadas. O local não foi abandonado de uma vez, mas aos poucos, à medida que o risco se tornou impossível de ignorar.
Como começou o incêndio em Centralia?
A explicação mais aceita é que tudo começou em maio de 1962, quando um depósito de lixo instalado em uma cava de mineração abandonada foi incendiado durante uma ação de limpeza. O fogo teria alcançado uma abertura conectada às antigas minas subterrâneas e, a partir daí, encontrado carvão suficiente para continuar queimando abaixo da cidade.
O detalhe importante é que não se tratava de um incêndio comum em casas ou vegetação. Depois de atingir as camadas de carvão, o fogo passou a percorrer um labirinto de minas abandonadas, o que tornou o combate muito mais difícil. Por isso, o problema deixou de ser local e virou uma crise ambiental e urbana de longa duração.
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Por que o incêndio em Centralia foi tão difícil de apagar?
O grande obstáculo era o próprio subsolo. O fogo não estava concentrado em um único ponto fácil de isolar, mas em galerias subterrâneas extensas, com entradas antigas, passagens conectadas e combustível mineral disponível. Em situações assim, apagar uma frente não garante o fim do problema, porque o calor pode seguir por outras rotas invisíveis.
Com o tempo, o incêndio passou a causar fumaça saindo por rachaduras, aquecimento do terreno, emissão de gases tóxicos e afundamentos. Além disso, as tentativas de controle exigiam escavação, isolamento e obras muito caras, e mesmo assim os resultados foram limitados.
- O fogo se espalhou por minas abandonadas abaixo da cidade.
- O carvão no subsolo funcionou como combustível contínuo.
- Rachaduras e subsidências mostraram que o risco não era apenas teórico.
- O custo para extinguir completamente o incêndio ficou alto demais.
- Gases nocivos e instabilidade do terreno aumentaram a urgência da remoção.
Este documentário da PBS mostra como o problema afetou o cotidiano dos moradores.
Quando a cidade passou a ser abandonada de verdade?
A saída dos moradores aconteceu gradualmente, mas ganhou força entre o fim dos anos 1970 e os anos 1980. Um momento decisivo ocorreu quando as autoridades concluíram que o risco não era passageiro e que o custo para apagar o fogo seria desproporcional. Em vez de insistir apenas no combate, o governo passou a financiar a retirada da população.
Em 1984, o Congresso dos Estados Unidos destinou 42 milhões de dólares para a aquisição voluntária de imóveis e a relocação de moradores e comércios afetados. Nos anos seguintes, centenas de residências e negócios foram comprados, e a maior parte das construções acabou demolida. Depois disso, Centralia passou a ser lembrada mais como uma cidade abandonada do que como um município ativo.
O solo realmente queimava sob os pés dos moradores?
Em certo sentido, sim. O fogo subterrâneo aquecia o terreno e podia abrir fissuras por onde saíam vapor, fumaça e gases. A ameaça mais séria não era ver chamas por toda parte, mas conviver com uma superfície instável e com a possibilidade de subsidência, além de monóxido de carbono e outros gases nocivos.
Foi essa combinação de fatores que tornou a permanência tão perigosa. O incêndio subterrâneo não destruía a cidade da forma clássica de um grande fogo urbano, mas corroía sua viabilidade pouco a pouco. Estradas foram afetadas, áreas precisaram ser interditadas e o lugar deixou de oferecer condições normais de moradia.

Quais números ajudam a entender o incêndio em Centralia?
Os dados oficiais ajudam a medir o tamanho do problema. A cronologia do caso mostra que o fogo começou em 1962, recebeu tentativas de controle por muitos anos e acabou levando a um processo caro de remoção populacional. Em 1983, um estudo estimou que seriam necessários 663 milhões de dólares para extinguir o incêndio.
No ano seguinte, o Congresso liberou 42 milhões de dólares para relocação, e entre 1985 e 1991 foram adquiridas 545 residências e empresas. Isso mostra por que a estratégia mudou de “apagar o fogo” para “retirar as pessoas do risco”.
| Marco | Informação |
|---|---|
| 1962 | Início do incêndio subterrâneo. |
| 1983 | Estudo estimou 663 milhões de dólares para extinguir o fogo. |
| 1984 | Congresso liberou 42 milhões de dólares para relocação. |
| 1985 a 1991 | 545 residências e empresas foram adquiridas e desocupadas. |
Por que Centralia continua sendo um caso tão lembrado?
Centralia se tornou um símbolo de como um problema subterrâneo pode acabar com uma cidade inteira sem precisar de uma explosão única ou de uma catástrofe súbita. O que destruiu o lugar foi a persistência do fogo, o custo gigantesco das soluções e a perda gradual das condições mínimas de segurança.
A cronologia oficial do Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia mostra que o incêndio segue sendo monitorado e que o caso ainda é tratado como um problema real, não apenas como curiosidade histórica. Centralia quase desapareceu do mapa habitado, mas continua sendo um dos exemplos mais impressionantes de incêndio subterrâneo de longa duração nos Estados Unidos.
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