Um lago gigantesco desapareceu do oeste americano e deixou praias antigas nas montanhas, planícies de sal e marcas de uma enchente que atravessou a região
O estudo das cicatrizes geológicas deixadas por esse corpo hídrico pré-histórico ajuda a mapear as dramáticas mudanças climáticas norte-americanas.
O majestoso Lago Bonneville dominava o oeste da América do Norte durante a era glacial com seu volume d’água impressionante. Hoje, as planícies salinas e os terraços nas montanhas de Utah testemunham a magnitude dessa grande bacia hidrográfica pré-histórica extinta.
Como essa imensa massa d’água se formou na região de Utah?
Durante o auge do período Pleistoceno, o clima consideravelmente mais frio e muito úmido reduziu drasticamente as taxas de evaporação e aumentou substancialmente as precipitações contínuas. Esse cenário meteorológico severo e constante permitiu o gradativo preenchimento de uma vasta depressão topográfica localizada no oeste dos Estados Unidos.
Com a total ausência de rios de drenagem externa, o gigantesco reservatório interior represou progressivamente o intenso degelo das geleiras montanhosas vizinhas ao longo de incontáveis milhares de anos. A forte expansão contínua da lâmina d’água afundou literalmente a crosta terrestre local sob o imenso peso acumulado.

Quais foram os impactos da monumental enchente no relevo americano?
Há cerca de 14.500 anos, um colapso geológico súbito em uma frágil represa natural de sedimentos desencadeou uma das inundações mais violentas e catastróficas de toda a história do planeta. Um volume colossal de águas fluviais escapou furiosamente em direção ao importante rio Snake, remodelando a paisagem.
A brutal descarga torrencial estendeu-se por várias semanas, carregando enormes rochas maciças, esculpindo longos vales profundos e abandonando gigantescas marcas de ondulação que continuam visíveis na paisagem continental. O imenso fluxo impetuoso alterou para sempre a ecologia e a complexa hidrologia terrestre de estados vizinhos como Idaho.

Na tabela abaixo, veja um resumo comparativo das características dimensionais do antigo corpo hídrico:
O que as antigas praias petrificadas nas montanhas revelam hoje?
As altas encostas de extensas cordilheiras como as montanhas Wasatch ainda abrigam incríveis planaltos esculpidos pelo incansável e forte bater das intensas ondas pré-históricas. Segundo complexos levantamentos documentados pelo United States Geological Survey, as múltiplas elevações desses cumes funcionam como verdadeiros degraus de uma régua milenar climática.
Além da intensa erosão local, essas belas linhas costeiras antigas expostas exibem enormes depósitos minerais e vastos agrupamentos arenosos que contornam perfeitamente o antigo domínio exato da água. Essa magnífica e singular topografia rochosa permite aos experientes pesquisadores rastrear minuciosamente a severa evaporação decorrente do aquecimento acelerado geológico.
A seguir, os principais pontos que ajudam a entender essa marcante herança geológica na montanha:
- As encostas evidenciam linhas nítidas de antiga erosão mecânica devido à constante atividade das ondas.
- A perda gradual de volume hídrico esculpiu terraços naturais de pedras calcárias e seixos lisos.
- As antigas praias encontram-se hoje centenas de metros acima das bacias desérticas dos vales secos.
Por que o restante do corpo hídrico desapareceu das planícies?
O irrevogável encerramento definitivo das rigorosas eras glaciais do passado norte-americano transformou vigorosamente o comportamento perene das correntes de vento, convertendo completamente o clima regional em um deserto extremamente árido e inóspito. A intensa evaporação atmosférica passou a anular rapidamente as discretas taxas da chuva anual isolada.
Com a ação implacável e permanente da seca, os incontáveis sais originalmente dissolvidos nas águas lacustres acumularam-se brutalmente e formaram a imensa e espetacular crosta branca incandescente das famosas planícies rasas. O modesto e vulnerável Grande Lago Salgado atual simboliza a única e pequena lembrança geográfica remanescente.
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