Aos 25 anos, filho de pedreiro e catadora que começou a trabalhar aos 10 anos e precisou de bolsa para chegar à faculdade sobe à colação de grau em Direito de beca e ergue a faixa “o filho do pedreiro com a catadora de castanhas também venceu”, diante dos próprios pais
Ismael Silva transformou o diploma em uma homenagem aos pais depois de uma trajetória marcada por trabalho precoce, escola pública e bolsa do Prouni
Quando Ismael do Nascimento Silva subiu ao palco de sua formatura de Direito, em Teresina, no Piauí, em setembro de 2015, levou consigo algo além da beca. Aos 25 anos, diante dos pais, ergueu uma faixa com a frase “O filho do pedreiro com a catadora de castanhas também venceu! #MeusPaisMeusHeróis”. A imagem resumiu uma trajetória iniciada ainda na infância, quando ele começou a trabalhar para ajudar uma família com poucos recursos e que, anos depois, o veria tornar-se o primeiro integrante a concluir um curso superior.
Como começou a trajetória que levou Ismael à formatura de Direito?
Filho de um pedreiro e de uma catadora de castanhas, Ismael começou a trabalhar por volta dos 10 anos. Durante a infância, vendeu sacolé, milho cozido e espetinhos para contribuir com a renda familiar. Paralelamente, continuou estudando em escolas públicas, mantendo a educação como um caminho possível apesar das limitações financeiras.
A entrada no ensino superior aconteceu por meio de uma bolsa do Programa Universidade para Todos, o Prouni, que lhe permitiu cursar Direito no Instituto Camillo Filho, em Teresina. A bolsa eliminou o custo principal da mensalidade, mas não significou que as dificuldades econômicas desapareceram durante os anos seguintes.
Que dificuldades continuaram durante a formatura de Direito?
Durante a graduação, Ismael precisou conciliar estudo e trabalho para manter despesas que não eram cobertas pela bolsa. Houve momentos de dificuldade até para pagar alimentação e transporte, e sua rotina incluía períodos de estudo na biblioteca antes das aulas e trabalho como instrutor de badminton.
A permanência no curso também contou com uma rede de apoio. Professores, colegas, familiares e outras pessoas próximas ajudaram em momentos específicos. A trajetória registrada em reportagens da época mostra que conseguir a bolsa foi apenas uma parte de um processo mais longo para chegar ao diploma.
- Começou a trabalhar aos 10 anos.
- Estudou em escolas públicas.
- Conseguiu uma bolsa do Prouni.
- Trabalhou durante a graduação.
- Tornou-se o primeiro da família a concluir o ensino superior.
- Foi aprovado no exame da OAB ainda durante o curso.
Esta reportagem do Portal Meio Norte registrou a história de Ismael e a homenagem feita durante a formatura.
Por que a faixa virou o momento mais marcante da cerimônia?
A homenagem aconteceu na colação de grau realizada em 11 de setembro de 2015. Quando chegou ao palco, Ismael abriu a faixa que mencionava diretamente as profissões dos pais. Em vez de esconder a origem familiar, ele decidiu transformá-la no centro daquele momento, associando o diploma ao esforço de Antônio, seu pai, e Maria do Socorro, sua mãe.
Em entrevista publicada naquele período, Ismael explicou que queria demonstrar publicamente o amor e a gratidão pelos pais e ressaltar a dignidade das profissões deles. A fotografia se espalhou pelas redes sociais nos dias seguintes e levou a história a veículos de comunicação de alcance nacional.
O que o diploma representava dentro daquela família?
A conquista também tinha um significado educacional concreto. Segundo registros publicados na época, a mãe de Ismael estudou até o terceiro ano do ensino fundamental, enquanto o pai chegou ao primeiro ano do ensino médio. Ismael tornou-se o primeiro integrante da família a concluir uma graduação.
Os pais participaram da cerimônia e foram apresentados por ele como exemplos de humildade, honestidade e dedicação. A Câmara Municipal de Teresina registra oficialmente a homenagem feita por Ismael em sua formatura de 2015, episódio que mais tarde continuaria sendo citado em sua trajetória pública.

Quais fatos resumem a história da formatura de Direito?
Quando recebeu o diploma, Ismael já havia avançado também profissionalmente. Ele havia sido aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil ainda no nono período e acumulava experiência na área jurídica. Naquele momento, relatava planos de buscar estabilidade profissional para também melhorar as condições financeiras da família.
Os principais pontos documentados ajudam a separar a história original, ocorrida em 2015, das republicações que voltaram a circular anos depois.
| Fato | Registro |
|---|---|
| Idade na formatura | 25 anos. |
| Local | Teresina, Piauí. |
| Data da colação | 11 de setembro de 2015. |
| Acesso à faculdade | Bolsa do Prouni. |
O que aconteceu depois daquela fotografia?
A imagem da faixa não ficou restrita à cerimônia. Ela viralizou nas redes sociais e levou Ismael a programas nacionais. A história continuou associada à sua trajetória nos anos seguintes, inclusive quando ele entrou para a política municipal de Teresina e posteriormente foi eleito vereador.
Mas a força da cena original está no que já era verdade naquele dia: aos 25 anos, o menino que havia começado a trabalhar aos 10 chegava ao ensino superior e fazia questão de dividir simbolicamente o diploma com os pais. A formatura de Direito transformou a faixa em um registro público da origem da família, sem apagar as dificuldades que existiram até aquele momento.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)