Putin manda fechar consulado alemão em São Petersburgo
Medida atinge também o Instituto Goethe em meio à escalada de tensões após acusação de ataque a aeroporto alemão
O regime de Vladimir Putin determinou nesta segunda-feira, 7, o encerramento das atividades do Consulado Geral da Alemanha em São Petersburgo, com prazo até 18 de setembro para que os funcionários deixem o país.
A decisão, anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia, integra uma sequência de represálias diplomáticas motivada pela acusação alemã de que Moscou estaria por trás de uma tentativa de ataque com drone contra o aeroporto de Leipzig.
Instituto Goethe também é alvo
O órgão russo confirmou ainda o fechamento das três unidades do Instituto Goethe no território nacional, situadas em Moscou, São Petersburgo e Novosibirsk. Nesse caso, o prazo para a saída dos funcionários se encerra neste domingo. A instituição é o braço cultural do governo alemão dedicado à difusão da língua e ao intercâmbio com outros países.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, as medidas respondem a decisões classificadas como hostis por parte de Berlim, que na terça-feira passada havia determinado o fechamento do Consulado Geral russo em Bonn e da Casa da Rússia, centro cultural instalado na capital alemã.
Origem da disputa remonta a agosto
O estopim da crise foi um episódio ocorrido em 4 de agosto, quando um drone carregado de explosivos foi localizado próximo a uma aeronave ucraniana no aeroporto de Leipzig/Halle. O artefato foi desativado e não causou danos. O terminal funciona como importante centro de cargas e presta apoio logístico à Ucrânia.
A Alemanha atribuiu o episódio à Rússia, o que foi negado por Moscou, que classificou a acusação como provocação. Putin afirmou que o governo alemão se apoiou em provas fabricadas. Já o chanceler Sergei Lavrov acusou Berlim de “começar uma guerra de verdade”.
Em nota, a diplomacia russa foi direta ao responsabilizar o lado alemão: “Foram as autoridades alemãs que mais uma vez provocaram uma nova rodada de escalada nas relações bilaterais”. O texto acrescenta que “toda a responsabilidade pelas consequências recai inteiramente sobre o governo alemão”.
Presença diplomática vinha caindo desde 2023
O corte atual se soma a uma redução gradual da presença diplomática entre os dois países iniciada em 2023, quando a Alemanha proibiu o funcionamento de quatro dos cinco consulados-gerais russos em seu território, após Moscou impor um teto de 350 funcionários governamentais alemães autorizados a atuar em solo russo.
Como resposta, Berlim fechou os consulados-gerais em Kaliningrado, Ecaterimburgo e Novosibirsk, mantendo apenas a embaixada em Moscou e o consulado em São Petersburgo, agora também encerrado.
À época, o governo alemão disse buscar equilíbrio na quantidade de representações mantidas por cada país. Desde então, parte dos serviços consulares já operava com restrições ou atrasos.
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