7/9 tem Fachin na tribuna e climão entre Messias e Alcolumbre
Presidente do STF foi o único ministro da Corte na cerimônia, enquanto encontro entre AGU e presidente do Senado chamou atenção
O desfile de 7 de Setembro em Brasília expôs, nesta segunda-feira, 7, uma composição incomum entre os chefes dos Três Poderes. Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), foi o único ministro da Corte a comparecer à cerimônia e dividiu a tribuna com o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A presença de Fachin ganhou um ingrediente adicional. Até a véspera, o ministro ainda não havia confirmado oficialmente que participaria do desfile. Ele chegou à Esplanada por volta das 8h30, pouco antes do início da cerimônia, confirmando a presença que até então permanecia em aberto.
A chegada ocorreu em meio a uma crise interna no Supremo, agravada pelas revelações relacionadas ao Banco Master e às mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Fachin acabou sendo o único representante da Corte na tribuna.
Moraes não compareceu. André Mendonça, que retirou o sigilo de informações relacionadas ao caso, também ficou fora da solenidade. Outros ministros do Supremo, como Flávio Dino, igualmente não participaram.
A ausência em bloco chama atenção porque, em outros desfiles, diferentes integrantes do Supremo costumavam acompanhar o presidente da República na cerimônia. Neste ano, Fachin foi sozinho.
A composição da tribuna colocou lado a lado representantes dos Três Poderes justamente quando o ambiente institucional está pressionado pela disputa dentro do STF e pelas cobranças do Congresso em torno de Moraes.
Fachin entre Lula e Alcolumbre
Fachin ocupou a tribuna ao lado de Lula, Alcolumbre e Hugo Motta. A presença do presidente do Supremo também ocorre em um momento em que ele precisa administrar o conflito entre Moraes e Mendonça.
O caso ganhou novos contornos depois que Mendonça retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens de Vorcaro. O material passou a alimentar a pressão política sobre Moraes e os pedidos de impeachment apresentados no Senado.
Alcolumbre, por sua vez, está no centro dessa pressão. O presidente do Senado vem sendo cobrado pela oposição para dar andamento aos pedidos de afastamento de ministros do STF, especialmente Moraes. Nos últimos dias, o senador afirmou que o número de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte está fora do normal, mas evitou antecipar uma posição específica sobre Moraes.
A cena na tribuna, portanto, ganhou significado político próprio: Fachin representando o Supremo enquanto o presidente do Senado é pressionado a decidir o destino dos pedidos contra integrantes da Corte.
O encontro entre Messias e Alcolumbre
Outro episódio chamou atenção nos bastidores do desfile.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, esteve na cerimônia e cumprimentou rapidamente Davi Alcolumbre antes do início do evento. O encontro ocorreu cinco meses depois de o Senado rejeitar a indicação de Messias para uma vaga no STF.
Em abril, o nome escolhido por Lula recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis. A derrota foi uma das maiores derrotas políticas do governo no Senado e teve Alcolumbre como um dos principais articuladores do processo.
O reencontro, portanto, ocorreu em um cenário inevitavelmente carregado de memória política.
Messias cumprimentou outras autoridades antes de chegar a Alcolumbre. O contato entre os dois foi rápido e chamou atenção justamente pelo histórico recente entre o advogado-geral da União e o presidente do Senado.
A cena ganhou ainda mais peso porque Messias acompanhava a cerimônia na mesma tribuna em que estavam Fachin, Lula e Alcolumbre.
A PF também estava na fotografia
Outro personagem importante da crise institucional também estava presente: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A presença de Rodrigues ocorre enquanto a PF aparece em diferentes capítulos da crise que envolve Moraes, Mendonça e o Banco Master.
Fachin já havia solicitado esclarecimentos de Moraes, Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de Rodrigues sobre os desdobramentos do caso.
Assim, a tribuna reuniu personagens que estão em lados diferentes dos principais episódios que movimentam Brasília nas últimas semanas.
O 7 de Setembro político
A tensão não ficou restrita aos bastidores das autoridades.
Antes da chegada de Lula, parte do público presente na Esplanada entoou gritos pelo “fim da 6×1”, em referência à proposta que tramita no Congresso. A manifestação ocorreu diante da tribuna das autoridades e colocou uma pauta política em uma cerimônia oficial.
Oficialmente, o desfile deste ano foi organizado em torno de três eixos: soberania nacional, combate à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. O lema escolhido pelo governo foi “Soberania — A força que une o Brasil”.
Mas a crise institucional acabou inevitavelmente entrando na fotografia.
Lula esteve ao lado dos presidentes da Câmara e do Senado e do presidente do STF. Fachin representou sozinho a Corte. Ao mesmo tempo, ministros que estão no centro do embate institucional ficaram fora da cerimônia.
O resultado foi uma fotografia de aparente unidade entre os Três Poderes, mas cercada por uma série de tensões nos bastidores.
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