Marina JHC denuncia secretário de AL por suposta xenofobia
Notícia-crime afirma que Marcelo Melo Silva usou origem mato-grossense da candidata ao Senado para tentar desqualificá-la em ato de campanha
Advogados da campanha de Marina JHC (PSDB, foto ao centro) levaram à Justiça Eleitoral de Alagoas uma notícia-crime contra o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Marcelo Melo Silva, por uma fala feita durante um comício em Santana do Ipanema, no sertão alagoano.
A acusação sustenta que o secretário teria utilizado a origem da candidata ao Senado como instrumento de desqualificação política e incitação à discriminação regional.
A notícia-crime foi protocolada neste domingo, 6, na 2ª Zona Eleitoral de Maceió e pede o encaminhamento do caso ao Ministério Público Eleitoral para apuração de eventual crime previsto na Lei 7.716/1989, que trata de discriminação e preconceito por procedência nacional. Subsidiariamente, os advogados apontam possíveis crimes eleitorais contra a honra.
Segundo a petição, Marcelo Silva participou de um comício no povoado Óleo, em Santana do Ipanema e na fala, o secretário estabelece uma comparação entre uma candidata a suplente do senador Renan Calheiros (MDB), apresentada como uma mulher da região, e Marina JHC. Em seguida, propõe um “desafio” aos eleitores para testar o conhecimento da adversária sobre municípios e localidades do estado.
“Se nós soltar ela em Santana e perguntar onde é o Olho, ela não sabe onde é que é”, afirma. Depois, menciona Arapiraca e a região do Poço e conclui: “porque ela é de Goiás”.
A acusação sustenta que o discurso não representa apenas uma crítica à atuação ou ao conhecimento da candidata sobre Alagoas. Para os autores da notícia-crime, a própria estrutura da fala indicaria que o fator utilizado para desqualificá-la seria sua origem.
A petição contrapõe a expressão “nós santanenses” e “nós sertanejos” à condição de Marina como alguém de fora do estado. O documento afirma que o secretário teria transformado a origem geográfica em critério para orientar a escolha do eleitor.
Os advogados também destacam que Marcelo Silva teria errado ao afirmar que Marina é de Goiás. Segundo a notícia-crime, a candidata é natural de Cuiabá, no Mato Grosso.
Para a defesa, o equívoco não elimina a suposta discriminação. Ao contrário, argumenta que revelaria que o ponto central da fala seria o fato de Marina ser “de fora” de Alagoas, independentemente de qual estado fosse sua origem.
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