A Liverpool Brasileira que virou referência em tecnologia na América Latina e lidera a qualidade de vida da Paraíba
Tecnologia, inovação e bons indicadores ajudam a explicar o destaque dessa cidade
Poucas cidades do interior brasileiro trocaram o algodão pelo código sem perder o sotaque. A pouco mais de 550 metros de altitude no Planalto da Borborema, Campina Grande exporta software, concentra centros de pesquisa e, em 2026, alcançou a melhor nota de qualidade de vida da Paraíba e de todo o Nordeste.
De onde veio o apelido inglês no agreste paraibano?
Veio do algodão. Nas primeiras décadas do século XX, a cidade se firmou como uma das maiores praças de exportação da fibra no mundo, atrás apenas de Liverpool, na Inglaterra, e o comércio do produto atraiu compradores e casas comissárias de toda a região. A comparação com o porto inglês pegou e virou apelido.
O ciclo mudou o tamanho da cidade. Segundo a Prefeitura de Campina Grande, o município foi elevado à categoria de cidade em 11 de outubro de 1864, e a movimentação em torno da fibra multiplicou a população em poucas décadas. Hoje são 443.911 moradores, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a segunda maior população do estado.

Como uma cidade do interior virou referência tecnológica?
A virada começou com uma máquina. Em 1967, a cidade recebeu o primeiro computador de grande porte instalado no Nordeste, na então Escola Politécnica, decisão que criou uma geração de professores e técnicos formados em processamento de dados décadas antes de o assunto virar economia. O investimento pioneiro rendeu reconhecimento externo: em 2001, a revista americana Newsweek apontou o município como um dos centros tecnológicos de destaque no mundo, único da América Latina na seleção.
A estrutura de hoje sustenta a fama. A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) abriga uma unidade da Embrapii no Centro de Engenharia Elétrica e Informática, dedicada a software e automação, que já executou dezenas de projetos com empresas parceiras em áreas que vão de saúde a eletroeletrônicos. Perfil parecido aparece na cidade paulista que virou Capital Nacional da Tecnologia por lei federal.

O que colocou Campina Grande no topo do índice de qualidade de vida?
Uma nota de 68,76 pontos. Conforme a Prefeitura de Campina Grande, o resultado na edição 2026 do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil deixou o município em primeiro lugar entre as cidades paraibanas, acima da média do estado, de 62,39, e mais de cinco pontos acima da média nacional, de 63,40.
O alcance do resultado vai além da Paraíba. No ranking do IPS Brasil, que avalia os 5.570 municípios do país a partir de 57 indicadores sociais e ambientais extraídos de bases públicas, a cidade aparece como a mais bem colocada de todo o Nordeste, à frente das capitais da região, e em 107ª posição no país. É um índice que mede condição de vida em vez de tamanho de economia, o que explica municípios pequenos aparecerem logo atrás.
O que a cidade oferece além do trabalho?
O cotidiano se organiza em torno de alguns endereços que qualquer morador cita de cabeça, quase todos a distância curta do centro. Confira abaixo os principais:
- Açude Velho: cartão-postal da cidade, com calçadão em volta do espelho d’água usado para caminhada e corrida em qualquer horário.
- Feira Central: mercado que reúne cordel, artesanato, redes, ervas e comida de rua num dos maiores conjuntos de feira livre do Nordeste.
- Parque do Povo: espaço aberto que recebe o Maior São João do Mundo, com trinta dias de forró em junho.
- Museu de Arte Popular da Paraíba: acervo dedicado à produção de artesãos e artistas populares do estado.
- Parque Tecnológico: reúne empresas de software e laboratórios ligados à UFCG e à Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
Quem sonha em viver o Maior São João do Mundo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 87 mil visualizações, onde Fabi Cassol mostra as principais atrações de Campina Grande:
Como o clima do agreste paraibano se comporta ao longo do ano?
A altitude do Planalto da Borborema deixa Campina Grande alguns graus mais fresca que o litoral paraibano, com noites amenas o ano inteiro e ventilação constante. A chuva se concentra entre o outono e o começo do inverno, padrão oposto ao de boa parte do país. Confira abaixo o comportamento de cada período:
Médias aproximadas com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de viajar.
A cidade que uniu algodão código e forró
Campina Grande juntou três camadas que raramente convivem no mesmo endereço: uma herança comercial que a comparou a um porto inglês, um ecossistema de pesquisa em computação com décadas de estrada e uma festa junina que ocupa o mês inteiro. O resultado aparece nos indicadores, com a melhor nota de qualidade de vida do Nordeste.
Você precisa subir a Borborema e conhecer Campina Grande de perto, entre uma volta no Açude Velho e uma parada na Feira Central.
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