Cidade vizinha de Curitiba aparece entre as melhores do país para viver
A proximidade com a capital se soma a bons indicadores e uma rotina urbana bem estruturada
Quem desembarca no aeroporto de Curitiba não pousa em Curitiba. O terminal fica inteiro dentro de São José dos Pinhais, no Paraná, município que reúne linhas de montagem de montadoras globais de um lado e estradas de terra com adegas familiares do outro. A distância entre as duas paisagens é de poucos minutos de carro.
Por que o aeroporto da capital paranaense fica em outra cidade?
Porque foi erguido onde havia área plana e livre, ainda nos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. O Aeroporto Internacional Afonso Pena opera há mais de sete décadas e movimenta mais de 5 milhões de passageiros por ano, conforme o Viaje Paraná, portal oficial de turismo do estado.
Essa posição explica boa parte do desenho econômico local. O município é cortado por rodovias que ligam o Sul ao restante do país e virou endereço de fábricas que dependem de logística rápida, entre elas unidades da Volkswagen e da Renault. Na prática, o passageiro que pega o táxi no desembarque está em uma das maiores economias industriais paranaenses antes de cruzar a divisa com a capital.

Onde São José dos Pinhais aparece nos rankings nacionais?
Em 19º lugar entre as cem maiores cidades brasileiras. A posição vem do Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), estudo da consultoria Macroplan que reúne quinze indicadores oficiais em quatro áreas ligadas ao cotidiano de quem mora na cidade: educação, saúde, segurança e saneamento.
O detalhe mais forte não é a colocação, mas o movimento. Entre as cem cidades avaliadas, São José dos Pinhais registrou a maior variação positiva do ranking geral, com 42 posições ganhas, desempenho que nenhum outro município da lista repetiu. No mesmo levantamento, o Paraná emplaca Maringá na liderança nacional e a capital que lidera a qualidade de vida entre as capitais brasileiras em quinto.

Como uma colônia italiana sobreviveu ao lado das fábricas?
Sobreviveu porque virou negócio. A Colônia Mergulhão fica a cerca de 10 km do centro do município e foi formada por imigrantes vindos principalmente do Vêneto e do norte da Itália, entre 1870 e 1920, segundo a Prefeitura de São José dos Pinhais.
No fim do século passado, a comunidade recebeu um programa de turismo rural que estruturou o Caminho do Vinho, percurso de mais de 6 km pela antiga Estrada do Mergulhão, com propriedades históricas incorporadas à rota. O roteiro foi selecionado pelo projeto Talentos do Brasil Rural, do Ministério do Turismo, entre 23 roteiros do país voltados à valorização da agricultura familiar.
O que percorrer entre as adegas e o centro histórico?
O passeio mistura taça de vinho colonial, mesa de fogão a lenha e prédios antigos no miolo urbano. Confira abaixo o que costuma guiar a visita:
- Caminho do Vinho: adegas familiares que produzem vinho, suco, graspa e licores, além de salames, queijos e compotas vendidos na porta da propriedade.
- Cafés coloniais: mesas fartas com cucas, tortas salgadas, geleias e pães caseiros, herança das famílias italianas e polonesas.
- Casa da Cultura Polonesa: fica na Colônia Murici e expõe objetos e registros das famílias que colonizaram a região.
- Centro Histórico e Cultural: reúne a Igreja Matriz, a biblioteca municipal e o Museu Municipal Atílio Rocco.
- Caixa d’água da Praça Getúlio Vargas: erguida em 1966 e tombada como patrimônio municipal em 2018, virou marco visual do centro.
Quem busca alternativas para morar no Paraná, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Curitibando, que conta com mais de 12 mil visualizações, onde Jonathan mostra as vantagens de viver em São José dos Pinhais:
Como o clima de São José dos Pinhais se comporta ao longo do ano?
A cidade fica no primeiro planalto paranaense, perto dos 900 metros de altitude, e acompanha o padrão de Curitiba, com chuva distribuída em todos os meses. O inverno traz geada nas áreas rurais e o verão concentra as pancadas de fim de tarde. Confira abaixo o comportamento de cada período:
Médias aproximadas com base na climatologia do Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos naturais como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes do passeio.
Vale trocar o desembarque pela estrada de terra
Poucos lugares permitem sair de um aeroporto internacional e, em menos de 40 minutos, estar numa adega de família tomando vinho feito com uva colhida no quintal. É o tipo de contraste que só aparece em cidade que cresceu rápido sem apagar a própria zona rural.
Você precisa reservar um domingo e percorrer o Caminho do Vinho com calma, parando em pelo menos duas adegas e um café colonial antes de voltar para a capital.
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