Defesa de Lulinha surfa em relatório apócrifo usado por Moraes
Advogados falam em "pesca probatória" e questionam imparcialidade do ministro André Mendonça
A defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aproveitou o relatório apócrifo da Polícia Federal, usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para embasar a inclusão do ministro André Mendonça no famigerado inquérito das fake news, para deslegitimar a atuação do magistrado nos processos envolvendo o filho de Lula.
Mendonça é relator dos processos relacionados ao Banco Master e ao escândalo do INSS, no qual Lulinha é investigado.
Em comunicado, a defesa afirmou que sempre sustentou não haver conexão entre Lulinha e as fraudes investigadas pela Operação Sem Desconto.
“Isso se confirmou após a criação de novos inquéritos expressamente alheios à operação, mas cuja própria origem indica a ocorrência de pescaria probatória e direcionamento ilegal”, diz.
Segundo os advogados de Lulinha, a alegada “contaminação” já era alvo de questionamentos feitos pela própria defesa e foi “corroborada” pelos relatórios da PF.
“(…) contendo apontamentos sobre ilegitimidade, limites e direcionamento de inquéritos, registrados pela própria estrutura investigativa. Fábio Luís Lula da Silva permanece à disposição das autoridades e provará sua inocência nos autos, mas mantém a confiança de que o poder judiciário não fechará os olhos para ilegalidades, parcialidades e direcionamento político que, sendo confirmados, exigem o arquivamento definitivo das investigações.”
História se repete?
Esse foi exatamente o mesmo argumento utilizado pela defesa de Lula para conseguir anular as investigações da Operação Lava Jato no STF.
Desde então, vários outros alvos da Lava Jato como José Dirceu, por exemplo, obtiveram vitórias no STF alegando que o então juiz Sérgio Moro agiu de forma parcial na condução das investigações.
Segundo Moraes, os relatórios de inteligência indicam possível “quebra da imparcialidade judicial” e favorecimento de determinados grupos políticos. Esses argumentos foram suscitados pelo próprio STF no julgamento das ações relacionadas a Lula.
Um dos principais pontos da decisão é a acusação de que Mendonça teria avançado sobre atribuições próprias da Polícia Federal.
Lulinha é alvo de três inquéritos no STF que apuram suspeitas de tráfico de influência junto ao governo comandado pelo pai.
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