Uma ilha inteira é formada por um vulcão de 2.829 metros e moradores chegaram a plantar dentro da própria caldeira antes de uma erupção
Solos vulcânicos sustentaram comunidades agrícolas dentro da caldeira, até que a lava de 1995 destruiu Boca de Fonte e cobriu plantações
No arquipélago de Cabo Verde, a ilha do Fogo é essencialmente formada por um enorme sistema vulcânico cujo ponto culminante, o Pico do Fogo, alcança 2.829 metros e é a maior altitude do país. Dentro da caldeira de aproximadamente 8 quilômetros de largura surgiu Chã das Caldeiras, onde comunidades cultivaram uvas, frutas, milho e feijão graças às condições particulares dos solos vulcânicos. Em abril de 1995, porém, uma nova erupção obrigou cerca de 1.300 moradores a sair e cobriu com lava o pequeno povoado de Boca de Fonte e extensas áreas agrícolas.
Como o Pico do Fogo domina praticamente toda a ilha?
O Smithsonian Global Volcanism Program descreve Fogo como uma ilha constituída por um único e enorme vulcão. No interior da caldeira, aberta para leste, ergue-se o cone do Pico do Fogo, chegando a 2.829 metros acima do nível do mar. As paredes que delimitam parte dessa depressão podem atingir centenas de metros de relevo.
Esse formato é resultado de uma longa história de construção e destruição vulcânica. Grandes erupções acumularam sucessivas camadas de lava e outros materiais, enquanto um antigo colapso do flanco deixou a caldeira aberta no lado oriental. A atividade continuou historicamente por fissuras e cones localizados dentro dessa enorme estrutura.
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Por que moradores cultivavam dentro da caldeira do Pico do Fogo?
Chã das Caldeiras foi ocupada permanentemente a partir do início do século XX. Apesar do risco evidente, havia vantagens difíceis de encontrar em outras partes de Cabo Verde: altitude, microclima e terrenos associados ao vulcanismo favoreciam determinadas culturas. A viticultura tornou-se especialmente característica dessa paisagem.
Além das videiras, eram produzidos feijão, ervilha, frutas e outros alimentos. Relatos da erupção de 1995 mencionam ainda áreas usadas para café, milho e mandioca que acabaram atingidas pelas novas lavas. Portanto, não se tratava apenas de casas construídas perto do vulcão, mas de uma comunidade cuja economia dependia diretamente da terra existente dentro da caldeira.
- Altitude do Pico: 2.829 metros.
- Diâmetro da caldeira: Aproximadamente 8 quilômetros.
- Moradores evacuados em 1995: Cerca de 1.300.
- Área coberta pela nova lava: Aproximadamente 6,3 km².
- Cultivos atingidos incluíam uvas, frutas, milho e feijão.
Este registro reúne cenas das erupções do vulcão do Fogo e da paisagem de Chã das Caldeiras.
O que aconteceu quando a erupção começou em abril de 1995?
A erupção começou na noite de 2 para 3 de abril, por uma fissura na base sudoeste do cone central. Houve emissão de gases, projeção de blocos, fontes de lava e posteriormente fluxos que avançaram pelo interior da caldeira. A estrada principal para algumas comunidades foi cortada já nas primeiras horas.
Todos os aproximadamente 1.300 moradores da caldeira foram evacuados. Nos dias seguintes, a lava avançou sobre Boca de Fonte, destruiu casas, o principal reservatório de água da localidade e terrenos férteis. O povoado, que tinha cerca de 56 habitantes, acabou coberto pelo fluxo.
A erupção de 1995 destruiu todas as comunidades da caldeira?
Não. Esse detalhe corrige uma simplificação comum sobre o episódio. Portela e Bangaeira, as duas comunidades maiores, foram ameaçadas e tiveram seu principal acesso cortado, mas não foram destruídas pela lava de 1995. Os fluxos chegaram a aproximadamente 300 metros de Portela.
Quem foi efetivamente soterrada foi a pequena Boca de Fonte. Quando a atividade terminou, por volta de 28 de maio, aproximadamente 6,3 quilômetros quadrados estavam cobertos por novas lavas, com espessuras variando de cerca de 1 metro a mais de 20 metros.

O que os números do Pico do Fogo revelam sobre aquela erupção?
A erupção durou quase dois meses e produziu aproximadamente 60 milhões a 100 milhões de metros cúbicos de lava, segundo estimativa do Smithsonian baseada na extensão e espessura dos fluxos. Apesar dos enormes danos materiais e agrícolas, a evacuação evitou que a população permanecesse diretamente no caminho das lavas.
Os dados ajudam a dimensionar uma erupção que mudou Chã das Caldeiras sem eliminar permanentemente a ocupação humana do local.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Altitude máxima | 2.829 m |
| Início da erupção | 2 de abril de 1995 |
| Área coberta por lava | Cerca de 6,3 km² |
| Volume estimado | 60–100 milhões de m³ |
Por que as pessoas continuaram voltando para dentro da caldeira?
O retorno está ligado à combinação de vínculos comunitários, atividade agrícola e condições ambientais particulares. A própria documentação sobre o Parque Natural do Fogo destaca que agricultura, pecuária e turismo seguem fundamentais para as comunidades de Chã das Caldeiras.
O risco, entretanto, nunca desapareceu. Fogo entrou novamente em erupção em novembro de 2014, e dessa vez fluxos de lava atingiram severamente Portela e Bangaeira. A história da ilha mostra, assim, uma convivência contínua entre os benefícios oferecidos pela paisagem vulcânica e a possibilidade concreta de ela ser transformada novamente por uma erupção.
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