Um monte no vale do Jordão guarda 29 fases de ocupação e uma torre construída quando grandes assentamentos permanentes ainda estavam começando a surgir
Camadas arqueológicas preservam mais de 12 mil anos de atividade humana e estruturas monumentais erguidas ainda no período neolítico
A noroeste da atual Jericó, no vale do Jordão, um monte aparentemente simples concentra uma sequência extraordinária da história humana. Tell es-Sultan preserva depósitos de atividade que remontam a cerca de 10.500 a.C. e uma estratigrafia com 29 fases de ocupação. Já entre o 9º e o 8º milênio a.C., seus habitantes ergueram estruturas monumentais como muralha, fosso e uma torre de pedra, numa época decisiva da transição para comunidades sedentárias maiores.
O que as 29 fases de Tell es-Sultan revelam sobre sua ocupação?
Um tell é um monte formado pela acumulação sucessiva de construções, destruições, abandono e novas ocupações no mesmo lugar. Em Tell es-Sultan, essas camadas permitem acompanhar transformações ocorridas durante milhares de anos, desde comunidades neolíticas até sociedades urbanizadas da Idade do Bronze.
A UNESCO reconhece 29 fases de ocupação na estratigrafia do sítio. Os registros mais antigos remontam aproximadamente a 10.500 a.C., enquanto as fases posteriores documentam mudanças na arquitetura, organização social, subsistência e formas de ocupar permanentemente o vale do Jordão.
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Como uma comunidade neolítica conseguiu construir uma torre monumental?
Entre o 9º e o 8º milênio a.C., o assentamento já possuía uma parede, um fosso escavado no substrato rochoso e uma torre monumental. A torre neolítica preservada tem aproximadamente 8,5 metros de diâmetro na base e entre 7,75 e 8,25 metros de altura, além de uma escadaria interna com 22 degraus.
Construir essas estruturas exigiria planejamento, transporte de materiais e trabalho coordenado. A arqueologia não permite determinar com certeza todas as suas funções: muralha, fosso e torre podem ter desempenhado papéis práticos, sociais ou simbólicos diferentes ao longo do tempo.
- 29 fases de ocupação aparecem na estratigrafia.
- Cerca de 10.500 a.C. marca os depósitos humanos mais antigos.
- A torre preservada alcança aproximadamente 8 metros de altura.
- Uma escada interna possui 22 degraus.
- Muralha e fosso já existiam no período neolítico.
Este vídeo percorre Tell es-Sultan e mostra algumas das estruturas arqueológicas preservadas no sítio.
Por que Tell es-Sultan não deve ser simplesmente chamado de uma cidade moderna em miniatura?
O assentamento neolítico era grande e permanente para sua época, mas classificá-lo diretamente segundo conceitos urbanos posteriores pode esconder diferenças importantes. A própria UNESCO separa dois processos: a neolitização do Crescente Fértil e, posteriormente, o fenômeno do urbanismo no sul do Levante durante a Idade do Bronze.
Isso torna a sequência arqueológica especialmente valiosa. Tell es-Sultan registra primeiro a passagem para uma vida comunitária sedentária e, milhares de anos depois, evidências de planejamento urbano e de uma cidade-Estado cananeia socialmente complexa.
Por que a fonte de água foi decisiva para a permanência humana no local?
Ao lado do monte fica ‘Ain es-Sultan, uma fonte perene que forneceu água durante milênios. Em uma região onde o acesso regular à água era determinante para ocupações duradouras, a nascente, combinada ao solo fértil do oásis, favoreceu o estabelecimento de comunidades permanentes.
A importância do local, portanto, não depende apenas das estruturas monumentais. A página oficial de Tell es-Sultan na UNESCO destaca conjuntamente o monte arqueológico e a fonte adjacente como elementos essenciais para compreender a longa ocupação humana da região.

Quais números resumem a importância de Tell es-Sultan?
As diferentes escalas temporais são impressionantes. Há vestígios de atividade humana desde aproximadamente 10.500 a.C., monumentalização no 9º e 8º milênios a.C. e, mais tarde, evidências de urbanismo durante a Idade do Bronze.
A tabela reúne os dados mais diretamente documentados pela UNESCO e ajuda a separar as diferentes fases da história do sítio.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Fases de ocupação | 29 |
| Vestígios mais antigos | Cerca de 10.500 a.C. |
| Torre neolítica | Até cerca de 8,25 m de altura |
| Escadaria interna | 22 degraus |
Por que esse monte é tão importante para entender o surgimento das sociedades sedentárias?
Tell es-Sultan documenta um período em que populações do Crescente Fértil passaram a permanecer em assentamentos maiores, desenvolver novas estratégias de subsistência e organizar trabalhos coletivos cada vez mais complexos. Crânios tratados após a morte e estátuas encontrados no sítio também oferecem evidências de práticas sociais e rituais neolíticas.
Sua importância está justamente na continuidade arqueológica. No mesmo monte é possível observar etapas que vão das primeiras comunidades sedentárias às formas urbanas da Idade do Bronze. Essa sequência levou a UNESCO a inscrever a Antiga Jericó/Tell es-Sultan na Lista do Patrimônio Mundial em 2023.
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