Do chão parece apenas deserto, mas do espaço surge um alvo gigante de anéis concêntricos no coração da Mauritânia
Imagens Landsat de março de 2026 destacam uma formação circular de 40 quilômetros criada por soerguimento geológico e erosão
Em uma área remota do planalto de Adrar, no norte da Mauritânia, existe uma formação geológica que pode passar despercebida para quem atravessa a paisagem ao nível do solo. Vista de cima, porém, a Estrutura de Richat assume a forma de um enorme alvo composto por sucessivos anéis de rocha. Um mosaico produzido com imagens dos satélites Landsat 9 e Landsat 8, captadas em 5 e 6 de março de 2026, voltou a destacar o padrão circular de aproximadamente 40 quilômetros de largura conhecido popularmente como Olho do Saara.
Por que a Estrutura de Richat parece tão diferente quando vista do espaço?
O círculo é grande demais para ser percebido de uma única perspectiva por alguém que esteja caminhando ou dirigindo pela região. No terreno, o observador encontra cristas, vales, superfícies rochosas e extensões de areia; do espaço, todas essas formas passam a integrar um desenho aproximadamente concêntrico. A própria NASA descreve a estrutura como difícil de reconhecer do chão, mas evidente em imagens orbitais.
Os anéis externos medem cerca de 40 quilômetros de diâmetro, escala comparável à extensão de uma cidade inteira. A combinação entre rochas expostas, diferentes tonalidades do terreno e dunas vizinhas faz com que o padrão se destaque especialmente bem nas observações por satélite.
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O que as imagens Landsat de março de 2026 mostraram?
O mosaico divulgado pelo NASA Earth Observatory combinou uma cena registrada pelo Operational Land Imager do Landsat 9 em 5 de março com outra obtida pelo Landsat 8 em 6 de março de 2026. Juntas, elas mostram o gigantesco “alvo” na borda oriental do planalto, cercado pelas cores e formas do deserto do Saara.
Além dos círculos, as imagens evidenciam dunas, canais secos escavados por antigos fluxos de água e áreas de rocha mais escura. As tonalidades alaranjadas e acinzentadas dentro do Richat refletem diferenças entre tipos de rochas sedimentares e ígneas expostas pela erosão.
- Landsat 9 registrou parte do mosaico em 5 de março de 2026.
- Landsat 8 completou a observação em 6 de março de 2026.
- A formação possui aproximadamente 40 quilômetros de largura.
- Os anéis correspondem a cristas rochosas expostas pela erosão.
- O padrão circular se torna muito mais evidente quando observado do alto.
Este vídeo de um canal especializado em geologia explica a origem da formação e por que ela não é considerada uma cratera de impacto.
Como a Estrutura de Richat se formou?
Durante décadas, a forma quase circular levou pesquisadores a considerar a hipótese de uma antiga cratera criada pela queda de um meteorito. Estudos geológicos posteriores, porém, não encontraram as evidências esperadas de um grande impacto e passaram a interpretar Richat como um domo geológico profundamente erodido.
A explicação atualmente aceita envolve o soerguimento das camadas de rocha acima de uma intrusão de material ígneo subterrâneo. Depois, milhões de anos de erosão removeram progressivamente a parte superior do domo. Camadas com diferentes resistências ao desgaste ficaram expostas como cristas circulares sucessivas.
Por que os anéis não significam que um asteroide atingiu o local?
Formas circulares realmente podem ser produzidas por impactos, por isso a interpretação inicial não era absurda. Mas a geometria, as rochas e a estrutura interna de Richat são compatíveis com deformação e atividade magmática seguida por erosão, não com uma enorme colisão extraterrestre.
Hoje, o local é descrito pelo USGS como um domo simétrico composto por rochas sedimentares e vulcânicas erodidas. A NASA Earth Observatory explica a formação geológica e apresenta o mosaico Landsat de 2026.

O que os números da Estrutura de Richat revelam sobre sua escala?
O diâmetro adotado nas descrições mais recentes da NASA e do USGS é de aproximadamente 40 quilômetros. Observações topográficas anteriores também mostram que algumas escarpas próximas chegam a centenas de metros de altura, enquanto os anéis centrais apresentam relevo muito menor em comparação com a extensão horizontal de toda a formação.
Essa diferença entre largura e relevo ajuda a entender por que o desenho completo não se impõe a quem está no chão. É necessária uma perspectiva muito elevada para reunir as cristas separadas em um único padrão visual.
| Característica | Dado |
|---|---|
| Diâmetro aproximado | 40 quilômetros |
| Imagem Landsat 9 | 5 de março de 2026 |
| Imagem Landsat 8 | 6 de março de 2026 |
| Localização | Planalto de Adrar, Mauritânia |
Por que o Olho do Saara continua chamando tanta atenção?
A formação combina dois elementos especialmente marcantes: uma geometria que parece artificial quando observada do espaço e uma origem explicável por processos geológicos naturais. O resultado foi suficiente para chamar a atenção de astronautas desde as primeiras décadas dos voos espaciais tripulados, ajudando a popularizar o apelido Olho do Saara.
As novas imagens não revelaram um objeto recém-formado, mas oferecem uma visão contemporânea e detalhada de uma paisagem moldada por processos que ocorreram durante milhões de anos. Richat mostra como soerguimento, magmatismo, diferenças entre camadas de rocha e erosão podem produzir um desenho que só revela plenamente sua escala quando a Terra é observada de cima.
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