Um polvo branco apareceu a 4.290 metros de profundidade, bateu recorde e dez anos depois ainda nem recebeu nome científico
Filmado pela primeira vez em 2016, o cefalópode permanece sem descrição formal porque nenhum exemplar foi coletado
Em fevereiro de 2016, o robô submarino Deep Discoverer iluminou um pequeno cefalópode quase translúcido no fundo do Pacífico, próximo ao arquipélago do Havaí. A polvo Casper — apelido informal inspirado em sua aparência fantasmagórica — estava a 4.290 metros de profundidade e estabeleceu o maior registro conhecido para um polvo incirrado. Dez anos depois, novas observações ampliaram o que se sabe sobre o animal, mas ele continua sem nome científico formal porque nenhum exemplar foi coletado para estudo taxonômico completo.
Por que o polvo Casper encontrado em 2016 foi considerado recordista?
A descoberta ocorreu durante a expedição Hohonu Moana, do navio NOAA Ship Okeanos Explorer, a nordeste de Necker Island. O Deep Discoverer encontrou o animal descansando sobre o fundo marinho a 4.290 metros. Na época, os registros publicados de polvos incirrados não chegavam a 4.000 metros.
Os incirrados diferem dos polvos cirrados, grupo que inclui os chamados polvos-dumbo. Eles não possuem as nadadeiras laterais nem os pequenos cirros associados às ventosas característicos dos cirrados. Segundo a NOAA, o indivíduo observado em 2016 continua sendo o polvo incirrado encontrado na maior profundidade conhecida.
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O que tornou sua aparência tão diferente de outros polvos?
O animal chamou atenção imediatamente por apresentar corpo pálido, quase translúcido, e musculatura aparentemente pouco desenvolvida. A NOAA também destacou a ausência aparente dos cromatóforos pigmentados comuns em muitos cefalópodes, responsáveis por grande parte das mudanças de cor observadas em espécies mais conhecidas.
Essas características produziram a aparência esbranquiçada que levou espectadores da transmissão da expedição a chamá-lo informalmente de Casper. O apelido não representa uma classificação biológica e não deve ser confundido com um nome científico válido.
- Profundidade do primeiro registro: 4.290 metros.
- Grupo: Polvos incirrados.
- Local: Região de Necker Ridge, no arquipélago havaiano.
- Primeira observação: Fevereiro de 2016.
- Situação taxonômica: Espécie ainda não descrita formalmente.
Este vídeo do Nautilus Live mostra um polvo-dumbo em águas profundas e ajuda a visualizar as características que diferenciam os polvos cirrados dos incirrados como Casper.
Por que o polvo Casper ainda não recebeu um nome científico?
Fotografias e vídeos permitem reconhecer características externas, medir aproximadamente o animal e comparar sua morfologia com outros polvos. Isso, porém, nem sempre é suficiente para estabelecer formalmente uma nova espécie ou determinar com segurança sua posição no grupo. A própria NOAA afirma que Casper pode representar não apenas uma espécie desconhecida, mas possivelmente até um gênero ainda não descrito.
Para uma descrição taxonômica robusta, pesquisadores normalmente precisam examinar detalhes anatômicos que as câmeras não revelam e, atualmente, também podem utilizar sequências de DNA. Até fevereiro de 2026, nenhum exemplar de Casper havia sido coletado, razão central para a permanência do animal sem nome científico oficial.
Os novos encontros confirmaram que era sempre a mesma espécie?
Novas observações registraram animais muito semelhantes ao primeiro Casper em diferentes partes do Pacífico. Em 2023, por exemplo, o Ocean Exploration Trust filmou um indivíduo a mais de 2.300 metros no Papahānaumokuākea Marine National Monument. Em 2025, outro foi observado a mais de 4.100 metros nas águas das Ilhas Cook.
Esses registros fortalecem a hipótese de que exista um grupo de polvos desse tipo distribuído por áreas profundas do Pacífico, mas imagens sozinhas não garantem que todos pertençam exatamente à mesma espécie. A atualização publicada pela NOAA Ocean Exploration sobre os dez anos de Casper ressalta justamente essa limitação.

O que os registros do polvo Casper já revelaram sobre sua vida?
As observações posteriores trouxeram pistas sobre o uso do ambiente profundo. Em pesquisas realizadas em 2016, polvos incirrados semelhantes foram vistos associados a áreas com crostas e nódulos de manganês, além de indivíduos aparentemente cuidando de ovos presos a hastes de esponjas mortas.
Esses dados ajudam a mostrar como estruturas aparentemente simples do fundo oceânico podem ter importância para o ciclo de vida de animais ainda pouco conhecidos.
| Registro | Informação |
|---|---|
| 2016 | Primeiro Casper filmado a 4.290 m |
| 2023 | Animal semelhante visto a mais de 2.300 m |
| 2025 | Novo registro a mais de 4.100 m nas Ilhas Cook |
| 2026 | Nenhum exemplar coletado e nenhuma descrição formal |
O que dez anos sem um nome científico mostram sobre o oceano profundo?
O caso demonstra uma dificuldade básica da biologia das grandes profundezas. Robôs conseguem filmar animais a quilômetros abaixo da superfície sem precisar capturá-los, ampliando rapidamente o número de observações. A etapa seguinte, porém, pode depender de uma coleta rara e tecnicamente complexa.
Por isso, dez anos de imagens não equivalem automaticamente a dez anos de conhecimento taxonômico completo. Casper já alterou o limite de profundidade conhecido dos polvos incirrados e revelou possíveis relações com habitats do fundo do mar, mas sua identidade científica continua em aberto.
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