Mensagens mostram Cláudio Castro chamando dono da Refit de “amigo”
Relatório da PF aponta do ex-governador do Rio em demandas da empresa
Mensagens identificadas pela Polícia Federal (PF) mostram que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), chamou de “amigo” o empresário Ricardo Magro, dono da Refit.
Em maio, Castro e Magno foram alvos da primeira operação da PF sobre o caso. Magno teve a prisão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas não foi localizado e está foragido.
“Governador, quero do fundo do coração agradecer a sua presença. Sei o nível de desgaste, a quantidade de eventos e o próprio desgaste da agenda. Mesmo assim ter sua presença é uma grande honra pra mim. Meu muito obrigado”, escreveu Magno a Castro, após um evento em Nova York.
Em resposta, Castro enviou: “Eu que agradeço. Aqui vc tem um amigo. Saiba disso.”
De acordo com a PF, o ex-governador favorecia os interesses da Refit no estado, tratando diretamente com o advogado da companhia, Marcos Joaquim Gonçalves Alves.
“Em diversas oportunidades, Marcos Joaquim tratou diretamente com Cláudio Castro de demandas administrativas da refinaria perante o Estado do Rio de Janeiro, recebendo orientações sobre protocolos, reuniões e tramitação de expedientes administrativos”, afirma a corporação.
Mesmo quando era interino no cargo, em 2021, Castro respondeu positivamente a uma pergunta do advogado sobre a possibilidade de avançar na regularização da situação fiscal da Refit no estado.
“Eu toco por aqui”, disse.
“Tal circunstância sugere tratamento diferenciado concedido a pleitos de uma empresa privada por meio de interlocução direta com a mais alta autoridade do Estado, afastando-se dos canais administrativos ordinários”, apontam os investigadores.
Supostos favorecimentos
Segundo a PF, o governador teria promovido trocas na estrutura da Secretaria de Meio Ambiente dia antes de uma concessão de licença ambiental à Refit.
No relatório, a corporação aponta que o então recém-nomeado secretário Bernardo Rossi, hoje candidato a deputado federal pelo União Brasil, articulou com o presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jordão Bussiere, a concessão da licença.
Rossi comemorou: “Boaaaaaaaaa”.
Castro nega
Em nota, a defesa de Castro negou todas as acusações relacionadas a “lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros” que são feitas no relatório.
“Os contatos com representantes da Refit foram institucionais e não resultaram em qualquer benefício. Durante sua gestão, o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela empresa”, alegou.
“A defesa já requereu ao ministro Alexandre de Moraes que Cláudio Castro seja ouvido pela Polícia Federal para esclarecer todos os pontos da investigação e apresentar a documentação comprobatória. O pedido aguarda decisão.”
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