Galípolo e BC apoiavam fusão do Master com BRB, diz Vorcaro
Operação foi rejeitada em setembro do ano passado
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento realizado em 28 de agosto, que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e outros funcionários da instituição eram favoráveis à fusão entre o Banco Master e o BRB, o Banco de Brasília.
O depoimento foi obtido divulgado pelo Metrópoles.
“Eu sei qual era a postura do Banco Central como um todo. Não somente do Paulo Sérgio, como do diretor Ailton, como do próprio presidente Galípolo. A todo momento, era uma postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão”, disse ele ao delegado da PF, Albert Paulo Sérvio de Moura.
“E, depois que a gente faz o pedido e o pleito ali, todas as reuniões de que a gente participou sempre eram no sentido de organizar, de solucionar alguns pontos do pleito para que pudesse ser aprovado [a fusão]”, complementou.
Apesar da afirmação de Vorcaro, o BC rejeitou a operação no ano passado.
Mesmo sem a efetivação da venda, o BRB chegou a comprar carteiras de “créditos podres” do Master por R$ 12 bilhões.
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Depoimento de Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento, na semana passada, no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
A oitiva foi conduzida por um juiz auxiliar do gabinete.
Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que o depoimento ocorreu “por requerimento expresso da defesa” de Vorcaro. Segundo o ministro, os advogados solicitaram a oitiva sob o argumento de que o banqueiro “relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência”.
“A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido. Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, diz a nota.
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