Empresa que dominou a fotografia por décadas entrou em recuperação judicial, abandonou parte do negócio de câmeras e reapareceu cerca de 20 meses depois muito menor
Gigante centenária saiu do Chapter 11 em 2013 após vender ativos, reduzir negócios de consumo e direcionar sua estrutura para clientes empresariais
Quando a Eastman Kodak pediu proteção sob o Chapter 11 em 19 de janeiro de 2012, a companhia criada em 1880 já carregava mais de 130 anos de história e uma das marcas mais reconhecidas da fotografia. A recuperação judicial da Kodak não significou seu desaparecimento, mas uma transformação profunda: ativos foram vendidos, negócios históricos deixaram a companhia e a estrutura restante passou a priorizar impressão comercial, embalagens, serviços e outras soluções de imagem para empresas. Em 3 de setembro de 2013, cerca de 20 meses depois, a empresa saiu oficialmente do processo.
Por que a Kodak entrou em recuperação judicial em 2012?
O pedido foi apresentado pela Eastman Kodak e por suas subsidiárias norte-americanas ao Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. As subsidiárias estrangeiras não participaram diretamente do processo. A companhia obteve ainda US$ 950 milhões em financiamento para continuar operando durante a reorganização.
O objetivo declarado era aumentar a liquidez, resolver passivos antigos, monetizar propriedade intelectual considerada não estratégica e concentrar recursos nas linhas de negócio vistas como mais valiosas. A situação mostrava como uma empresa historicamente associada a filmes fotográficos e câmeras precisava reduzir drasticamente sua estrutura para continuar existindo.
O que a empresa começou a abandonar durante a reorganização?
Uma das decisões mais simbólicas veio apenas três semanas depois do pedido de proteção. Em 9 de fevereiro de 2012, a companhia anunciou que deixaria o negócio próprio de dispositivos de captura digital, encerrando gradualmente a produção de câmeras digitais, câmeras de vídeo de bolso e porta-retratos digitais. A marca ainda poderia aparecer nesses produtos através de licenciamento.
A transformação atingiu outras áreas enquanto ativos eram vendidos, transferidos ou encerrados. Entre as principais mudanças estavam:
- Saída do negócio próprio de câmeras digitais.
- Encerramento das câmeras de vídeo de bolso.
- Saída dos porta-retratos digitais.
- Venda de determinados ativos do Kodak Gallery.
- Redução do negócio de impressoras jato de tinta para consumidores.
- Transferência posterior dos negócios Personalized Imaging e Document Imaging.
Este vídeo publicado durante a crise explica o pedido de Chapter 11 apresentado pela companhia em janeiro de 2012.
Como a Kodak conseguiu sair do Chapter 11?
O processo envolveu redução de custos antigos, venda e transferência de ativos e redefinição das atividades consideradas centrais. Em agosto de 2013, o tribunal confirmou o plano revisado de reorganização. Em 3 de setembro, ele entrou em vigor e a companhia emergiu oficialmente do Chapter 11.
Uma das etapas finais foi a transferência dos negócios Personalized Imaging e Document Imaging para o plano de pensão da subsidiária britânica da companhia. A reorganizada Kodak descreveu-se então como uma empresa de tecnologia voltada principalmente a mercados empresariais de imagem.
Em que tipo de empresa o antigo gigante da fotografia se transformou?
Ao sair da recuperação, a companhia destacou quatro áreas: embalagens, impressão funcional, comunicações gráficas e serviços profissionais. Também permaneceu ligada a filmes comerciais e ao setor cinematográfico, portanto seria incorreto afirmar que ela abandonou completamente o filme fotográfico ou todo o universo de imagem.
O ponto central foi a perda do antigo modelo de negócios voltado amplamente ao consumidor. A própria companhia declarou que emergiu como uma empresa dedicada a “imaging for business”. A comunicação oficial da Kodak sobre sua saída do Chapter 11 registra a conclusão do processo em setembro de 2013.

Quanto a Kodak mudou em aproximadamente 20 meses?
A cronologia mostra uma transformação concentrada entre janeiro de 2012 e setembro de 2013. A Kodak que saiu do tribunal possuía menos negócios voltados ao consumidor, infraestrutura simplificada e uma estratégia comercial bastante diferente daquela associada durante décadas às câmeras domésticas e aos laboratórios fotográficos.
Os principais marcos ajudam a dimensionar essa redução.
| Data | Mudança |
|---|---|
| 19/01/2012 | Pedido de proteção sob Chapter 11. |
| 09/02/2012 | Anúncio da saída do negócio próprio de câmeras digitais. |
| 23/08/2013 | Tribunal confirma o plano de reorganização. |
| 03/09/2013 | Empresa emerge oficialmente do Chapter 11. |
Por que a história da Kodak não terminou com a recuperação judicial?
A saída do Chapter 11 mostrou que uma marca histórica pode sobreviver juridicamente sem preservar o mesmo tamanho ou modelo que a tornou famosa. A companhia continuou existindo, mas com foco muito maior em impressão comercial, tecnologias de materiais, comunicação gráfica e serviços empresariais.
Por isso, 2012 não marcou simplesmente “o fim da Kodak”. Foi o fim de boa parte da companhia que consumidores conheciam diretamente. Quando reapareceu em setembro de 2013, o nome permanecia, mas por trás dele existia uma organização menor, reestruturada e voltada a mercados bastante diferentes daqueles que haviam transformado a fotografia popular no século XX.
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