Rede que chegou a ser a segunda maior vendedora de eletrônicos dos EUA fechou suas 567 lojas restantes depois que nenhum comprador apresentou oferta viável para salvá-la
Gigante do varejo entrou no Chapter 11 em 2008 e acabou liquidada após negociações e um leilão fracassarem em produzir uma proposta viável
Durante décadas, a Circuit City foi um dos nomes mais conhecidos do varejo de eletrônicos dos Estados Unidos e chegou a ocupar a segunda posição nacional no setor, atrás da Best Buy. Mas uma combinação de deterioração financeira, queda do consumo e dificuldades para conseguir crédito levou a empresa ao Chapter 11 em novembro de 2008. O plano inicial ainda era reorganizar o negócio e continuar operando, mas poucos meses depois essa possibilidade desapareceu.
Como a Circuit City chegou ao pedido de recuperação judicial?
Em 3 de novembro de 2008, antes mesmo de entrar formalmente no Chapter 11, a companhia anunciou o fechamento de 155 lojas consideradas pouco rentáveis ou fora de sua estratégia. A própria empresa citou a deterioração de sua liquidez, a redução dos gastos dos consumidores e a piora do ambiente econômico como fatores que pressionavam seu capital de giro.
Uma semana depois, em 10 de novembro, veio o pedido voluntário de proteção sob o Chapter 11 da legislação de falências dos Estados Unidos. Diferentemente de uma liquidação imediata, o processo permitia que a rede continuasse funcionando enquanto tentava reorganizar suas operações e encontrar uma saída financeira.
Por que a Circuit City decidiu vender ou liquidar o negócio?
Durante a recuperação judicial, a empresa e seus assessores estudaram diferentes alternativas, incluindo uma reorganização independente, acordos com parceiros estratégicos e a venda de parte ou de toda a operação. Em janeiro de 2009, foram estabelecidos procedimentos formais para receber propostas capazes de manter a companhia funcionando.
O problema foi que as negociações e o leilão não produziram uma oferta viável para comprar a rede como empresa em funcionamento. Os documentos do processo mostram uma sequência curta e decisiva.
- 10 de novembro de 2008: Pedido de proteção sob o Chapter 11.
- 9 de janeiro de 2009: Pedido formal para organizar o processo de venda dos ativos.
- 13 a 15 de janeiro: Realização do leilão.
- 16 de janeiro: Aprovação judicial da liquidação.
- 17 de janeiro: Início das vendas de encerramento.
Este vídeo apresenta uma retrospectiva da ascensão e queda da rede de eletrônicos.
Por que nenhum comprador conseguiu salvar a Circuit City?
É mais preciso dizer que nenhuma proposta viável conseguiu preservar a empresa do que afirmar simplesmente que ninguém apareceu. Existiam interessados e ocorreram negociações. Entretanto, o leilão realizado entre 13 e 15 de janeiro não resultou em uma oferta aceitável para manter a operação funcionando.
A situação também era agravada pelo ambiente econômico de 2008 e início de 2009. A própria companhia já relatava dificuldade de liquidez e enfraquecimento do consumo. Sem acordo de venda ou refinanciamento suficiente, credores e responsáveis pelo processo concluíram que a liquidação oferecia a alternativa de maior valor disponível.
O que aconteceu com as 567 lojas restantes?
Em 16 de janeiro de 2009, a Circuit City anunciou que buscaria autorização judicial para liquidar seus ativos. A medida atingiu as 567 lojas norte-americanas que ainda permaneciam na operação. Reportagens da época descreviam a companhia como a segunda maior varejista de eletrônicos de consumo dos Estados Unidos.
As vendas de encerramento começaram em 17 de janeiro. Um grupo de empresas especializadas ficou responsável pela liquidação dos estoques, enquanto a Circuit City desmontava progressivamente sua operação. A documentação apresentada posteriormente à SEC registra que essas vendas foram concluídas até 8 de março de 2009. A cronologia também pode ser consultada na documentação oficial arquivada pela SEC.

Quais números ajudam a entender o fim da Circuit City?
A dimensão da liquidação mostra como a queda não envolveu uma pequena empresa regional. Pouco antes do encerramento, a Circuit City ainda possuía centenas de lojas e dezenas de milhares de trabalhadores ligados às operações norte-americanas.
Os principais acontecimentos documentados formam uma sequência de apenas quatro meses, da primeira grande onda de fechamentos ao desaparecimento das lojas restantes.
| Momento | O que ocorreu |
|---|---|
| Novembro de 2008 | 155 lojas foram selecionadas para fechamento. |
| 10 de novembro | Pedido de proteção sob Chapter 11. |
| 16 de janeiro de 2009 | Liquidação das lojas restantes foi aprovada. |
| 567 lojas | Unidades norte-americanas incluídas na liquidação final. |
O que o desaparecimento da Circuit City representou para o varejo?
O encerramento marcou o fim da operação física de uma companhia que havia passado décadas entre as maiores redes especializadas em eletrônicos dos Estados Unidos. A empresa havia sido uma companhia Fortune 500 por mais de 20 anos e ocupou por muito tempo a segunda posição no mercado norte-americano do setor.
Isso não significou, porém, o desaparecimento definitivo do nome Circuit City. Em 2009, a Systemax adquiriu a marca e outros ativos intelectuais, e o nome posteriormente voltou a ser utilizado comercialmente. O episódio de 2009 foi, portanto, o fim da histórica rede de centenas de lojas, não necessariamente da marca como propriedade comercial.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)