Paraguai barra acordo sobre cota de carne bovina
Brasil, Argentina e Uruguai querem cota proporcional às vendas históricas; Paraguai exige 25% para cada país do Mercosul
Os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai se reuniram nesta quarta-feira, 2, em Montevidéu, para tentar destravar a divisão de uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina por ano que os quatro países podem exportar à União Europeia com tarifa reduzida de 7,5%.
O encontro terminou sem acordo, e o impasse, que já se arrasta há meses, segue sem data para ser resolvido.
Segundo o representante uruguaio Mario Lubetkin, anfitrião do encontro, os países expuseram seus pontos de vista, mas não fecharam acordo. Brasil, Argentina e Uruguai defendem repartir a cota de forma proporcional ao histórico de vendas de cada país à Europa, critério que favorece quem tem maior capacidade de produção e exportação.
Já o Paraguai insiste em uma divisão igualitária, com 25% para cada sócio do bloco, por considerar esse modelo mais justo e por enxergar espaço para crescer sua participação nas exportações europeias.
Diplomatas veem na exigência paraguaia uma tentativa de ganhar força em negociações paralelas, como a revisão do Tratado de Itaipu e contratos de energia elétrica.
Um acordo entre produtores do bloco, firmado em 2004, já apontava em direção distante da proposta atual. Na época, ficou definido que 42,5% da cota caberiam ao Brasil, 29,5% à Argentina, 21% ao Uruguai e 7% ao Paraguai, conforme a participação de cada país no mercado europeu.
Os ministros decidiram promover uma nova rodada oficial dentro de 45 a 60 dias e cobraram que negociadores técnicos avancem nas conversas até lá. A meta é chegar a um acordo político antes da cúpula de líderes do Mercosul, marcada para 4 de dezembro, também em Montevidéu.
O encontro aconteceu horas antes de entrar em vigor um veto sanitário da União Europeia à carne bovina brasileira, motivado pela exigência de fim do uso de determinados antimicrobianos na pecuária.
A restrição pode durar de dois a três anos e gerou preocupação entre os ministros. Enquanto não houver acordo entre os sócios do Mercosul, o preenchimento da cota seguirá por ordem de chegada, com prioridade tarifária para os produtos que chegarem primeiro à Europa, independentemente do país de origem.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia está em vigência provisória desde 1º de maio.
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