Após anos de terapia, Priscilla revela o que viveu por começar tão cedo na televisão
Cantora afirma que terapia mudou sua visão sobre carreira precoce e conta que escola servia como espaço para ter rotina semelhante à dos colegas de infância
Priscilla afirmou que chegou a esquecer de viver depois de começar a trabalhar aos oito anos e passar infância e adolescência diante das câmeras. Em entrevista a Cissa Guimarães no Sem Censura, da TV Cultura, a cantora relembrou a carreira iniciada no Bom Dia & Cia (1993-2025), ao lado de Yudi Tamashiro. Após anos de terapia, ela diz enxergar principalmente os aspectos positivos daquela experiência profissional.
A artista explicou que amadurecer sob exposição pública trouxe desafios durante etapas que considera fundamentais para sua formação. “Tem o ônus e bônus. Depois de muita terapia, fiquei só com o bônus. Mas é um grande desafio, principalmente para mim, que comecei criança e passei todo o processo da infância para a adolescência e da adolescência para a fase quase adulta. Eu vivi a principal fase de uma pessoa na frente de todo mundo”, relembrou.
Priscilla tinha relação conturbada com seu emprego
Segundo Priscilla, a rotina profissional acabou ocupando um espaço que deveria pertencer também à vida pessoal. “O maior desafio foi tentar não perder a vida de vista enquanto tudo acontecia. O mundo artístico é um furacão. Às vezes a gente perde de vista os compromissos pessoais e a si mesmo. Eu cheguei a um período da minha vida em que, por estar trabalhando desde os oito anos, eu esqueci de viver”, explicou ela.
A pandemia levou a cantora a rever a relação que mantinha com o trabalho e com a própria identidade. “Quando a pandemia acabou, eu estava em um período em que eu precisava me reconectar (com o lado cantora). Quando a pandemia veio, repensei muitas coisas na minha vida. Percebi que eu era o meu trabalho e que eu tinha perdido a minha identidade durante essa jornada, porque, desde a infância, não parei de trabalhar”, afirmou.
Nesse processo, a participação no The Masked Singer (2021-2025) ganhou importância para a artista. “Daí veio o The Masked, em que eu só precisava usar a minha voz. Essa foi a minha ferramenta para me reconectar”. Fora da televisão, Priscilla também encontrou na escola um ambiente no qual conseguia escapar temporariamente do tratamento associado à fama e conviver com colegas que, segundo ela, enxergavam apenas uma criança de sua idade.
“Ali eu me sentia eu! Meus amigos não tinham interesse se eu estava vindo da TV. Eles me tratavam como uma criança normal, que às vezes eu sentia falta de ser vista. A escola me atraía muito por causa desses estímulos de humanidade que eu recebia dos meus colegas”, contou.
Apresentadora diz que trabalho tinha lado positivo
Priscilla afirmou que inicialmente gostava da atenção recebida pelo trabalho na televisão. “Quando eu não tinha consciência exatamente do que era a exposição, era tudo muito legal. Eu era uma criança que gostava de ser o centro das atenções, gostava de estar no palco. Achava muito legal ir ao shopping e as pessoas me pararem”, recordou. A percepção mudou quando a agenda profissional passou a interferir no período de desenvolvimento adolescente.
“Mas aí, com o passar do tempo, veio a adolescência, que é um período que tem que te deixar em paz para você se desenvolver, e eu não tinha paz. Tinha toda aquela agenda de compromissos… Começou a ficar um período muito complexo e a não ser mais tão legal”, declarou. Já adulta, a cantora afirmou que passou a estabelecer os próprios limites para definir qual nível de exposição considera saudável.
A artista também comentou o relacionamento com André Laudz, produtor musical e DJ integrante do Tropkillaz. Os dois se conheceram durante a produção de Eco e começaram a namorar pouco tempo depois. “Ele é um produtor incrível… A gente fez esse álbum juntos. A gente se conheceu no estúdio, fazendo a primeira música, e duas semanas depois a gente já estava namorando. Hoje temos mais de três anos de relacionamento e depois de três anos, sai o álbum também”, disse ela.
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