Um deserto branco parece coberto de neve, mas as dunas são feitas de cristais de gesso que continuam se movendo com o vento
Água, evaporação e ventos transformaram cristais de gesso em bilhões de toneladas de areia que continuam remodelando o deserto
No sul do Novo México, uma extensão branca de aproximadamente 275 milhas quadradas parece uma paisagem coberta por neve, embora esteja no deserto de Chihuahua. White Sands abriga o maior campo de dunas de gesso conhecido no mundo, formado por bilhões de toneladas de areia composta quase inteiramente por esse mineral. O cenário é possível porque a bacia de Tularosa não possui saída para o mar, permitindo que o gesso dissolvido nas montanhas permaneça preso, recristalize e seja continuamente transformado em areia pelo vento.
Por que White Sands é feito de gesso em vez da areia comum?
A maioria das dunas do planeta é formada principalmente por quartzo, mineral resistente e pouco solúvel. O gesso, ao contrário, dissolve-se facilmente em água, por isso grandes campos de areia desse material são raros. Em White Sands, cerca de 98% dos grãos são de gesso.
A explicação começa nas montanhas San Andres e Sacramento, que contêm camadas ricas nesse mineral. Chuva e neve dissolvem parte do gesso e transportam a solução para a bacia de Tularosa. Como a depressão é fechada e não possui drenagem até o oceano, a água permanece ali até infiltrar ou evaporar, deixando o mineral para trás.
Como antigos lagos transformaram o mineral em quilômetros de dunas?
Durante períodos mais úmidos do Pleistoceno, um grande lago conhecido como Lake Otero ocupou parte da bacia. Quando o clima se tornou mais seco e suas águas recuaram, ficaram expostos sedimentos ricos em gesso e enormes cristais de selenita, uma forma cristalina desse mesmo mineral.
Hoje, Lake Lucero continua reproduzindo parte desse processo. Após chuvas intensas, água rica em minerais ocupa temporariamente a área; quando evapora, novos cristais aparecem. Intemperismo, ciclos de congelamento e degelo e ação do vento quebram progressivamente o material até produzir grãos com tamanho de areia.
- Água dissolve o gesso das montanhas.
- O material é transportado para a bacia fechada.
- Evaporação provoca nova cristalização.
- Cristais de selenita são fragmentados pelo intemperismo.
- O vento transporta os pequenos grãos e forma dunas.
Este vídeo do GeologyHub detalha a origem geológica do campo de dunas e o ciclo responsável pela concentração do gesso.
Por que as dunas de White Sands continuam mudando de posição?
Depois que os cristais são reduzidos a pequenos grãos, ventos predominantes conseguem transportá-los por saltação, processo no qual partículas saltam repetidamente sobre a superfície. Ao longo do tempo, esse movimento acumula areia em dunas que migram principalmente em direção ao nordeste.
Isso significa que as formas visíveis hoje não são permanentes. Cristas avançam, ondulações são refeitas e determinadas áreas podem mudar significativamente após períodos secos e ventosos. Em 2008, por exemplo, dunas migratórias chegaram a bloquear trechos da estrada interna do parque durante quase duas semanas.
Se o gesso dissolve em água, por que as dunas não desaparecem?
A água paradoxalmente ajuda tanto a produzir quanto a conservar o campo de dunas. O lençol freático fica extremamente próximo da superfície em várias áreas, aproximadamente entre 30 e 90 centímetros de profundidade. Essa umidade mantém partes inferiores das dunas coesas e reduz a quantidade de areia que poderia simplesmente ser carregada para fora da região.
É justamente a combinação entre água subterrânea, evaporação e vento que mantém o sistema funcionando. Em condições muito secas, mais areia pode ser mobilizada; quando há umidade suficiente, as camadas inferiores ficam estabilizadas. Portanto, o campo não sobrevive apesar da água, mas em grande medida por causa dela.

O que os números de White Sands revelam sobre esse deserto branco?
O campo completo ocupa aproximadamente 275 milhas quadradas, cerca de 712 quilômetros quadrados, e contém mais de 4,5 bilhões de toneladas de areia de gesso. O parque protege uma parcela substancial dessa área e é reconhecido pelo National Park Service como o maior campo de dunas desse mineral no planeta.
A explicação geológica do National Park Service mostra ainda que o sistema continua recebendo novo material. Lake Lucero e Alkali Flat permanecem produzindo cristais que podem ser quebrados e incorporados às dunas, demonstrando que a formação não é apenas um vestígio do passado.
| Característica | Informação |
|---|---|
| Área do campo | Cerca de 275 milhas². |
| Composição | Aproximadamente 98% de gesso. |
| Quantidade de areia | Mais de 4,5 bilhões de toneladas. |
| Idade aproximada | Menos de 10 mil anos. |
Por que esse deserto continua sendo uma paisagem em transformação?
O aspecto imóvel é enganoso. Cada rajada pode deslocar grãos, remodelar pequenas ondulações e contribuir para o avanço de uma duna inteira. Ao mesmo tempo, vegetação e água subterrânea estabilizam partes do terreno, criando uma fronteira dinâmica entre setores móveis e áreas mais fixas.
Esse equilíbrio explica por que a paisagem consegue existir há milhares de anos sem permanecer igual. Cristais continuam surgindo, areia continua sendo transportada e dunas continuam mudando de forma. O branco que lembra neve é, portanto, a parte visível de um ciclo geológico ainda ativo entre montanhas, água, evaporação e vento.
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