Casas, cisternas e igrejas foram cavadas na pedra de um cânion e mantiveram uma forma de morar por milhares de anos
A engenharia milenar dos Sassi de Matera revela um complexo habitacional encravado em rochas no sul da Itália que sobreviveu à passagem do tempo.
Para os pesquisadores de arqueologia, os Sassi de Matera representam um dos exemplos mais antigos de ocupação humana contínua no mundo. Esse complexo esculpido em rochas calcárias na Itália revela uma forte integração entre moradia e manejo eficiente de recursos hídricos.
Como surgiu o assentamento esculpido nas pedras da Itália?
A formação desse núcleo urbano ocorreu nas margens de um cânion calcário na região da Basilicata. Vestígios indicam que a presença humana nessa localidade remonta ao período Paleolítico, quando grupos nômades começaram a utilizar as cavernas naturais como abrigo temporário contra intempéries.
Com o passar dos milênios, essas estruturas rudimentares evoluíram para residências permanentes. A rocha macia facilitava a escavação, permitindo que as famílias expandissem suas casas e construíssem estábulos subterrâneos na cidade de Matera, criando uma verdadeira metrópole de pedra fortemente conectada à paisagem árida.

De que maneira o sistema de captação de água funcionava?
A sobrevivência em uma região com baixos índices pluviométricos exigiu engenhosidade hidráulica dos antigos habitantes. O assentamento desenvolveu uma rede complexa de canais e calhas esculpidas diretamente na superfície rochosa, projetadas para direcionar cada gota de chuva até grandes reservatórios subterrâneos.
Esse mecanismo garantia o abastecimento durante os rigorosos meses de seca no continente europeu. Segundo a documentação histórica preservada pela Unesco, o princípio de vasos comunicantes purificava a água progressivamente, transferindo o recurso limpo para as cisternas familiares e comunitárias instaladas nas fundações.
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Na tabela abaixo, veja um resumo comparativo dos principais dados da estrutura hídrica:
Quais são as características arquitetônicas desse complexo rupestre?
A morfologia urbana das encostas desafia as noções convencionais de planejamento urbano moderno. O teto de uma residência subterrânea frequentemente servia como piso, rua ou praça para as habitações do nível superior, formando um labirinto vertical perfeitamente adaptado ao relevo acidentado.
Além das moradias civis, o conjunto abriga mais de cem igrejas rupestres ornamentadas com afrescos bizantinos preservados. A temperatura constante no interior dessas grutas protegia tanto os alimentos armazenados quanto as obras de arte religiosas contra as variações térmicas extremas do ambiente externo.
A seguir, os principais pontos que ajudam a entender essa arquitetura singular:
- Isolamento térmico: as paredes de calcário espessas mantinham os ambientes frescos no verão e aquecidos no inverno.
- Reaproveitamento de material: os blocos extraídos das escavações viravam fachadas para fechar as frentes das cavernas.
- Integração comunitária: pátios compartilhados conectavam pequenos grupos familiares em bairros interligados, chamados de vicinati.
- Saneamento orgânico: os dejetos animais eram misturados com palha e reutilizados como isolante acústico ou combustível sólido.
Por que o modelo habitacional foi abandonado e posteriormente revitalizado?
Após séculos de estabilidade, o aumento populacional no século XX gerou uma grave crise sanitária na região sul italiana. A superlotação transformou as cavernas úmidas em focos de epidemias, levando o governo da Itália a transferir compulsoriamente os moradores para bairros modernos na década de 1950.
Apesar desse declínio temporário, o valor cultural inestimável do cânion motivou extensos projetos de restauração ao longo dos anos 1980. Consequentemente, as antigas grutas pastoris renasceram como hotéis boutique, galerias de arte e polos culturais, transformando o outrora estigmatizado assentamento em um elogiado polo de turismo histórico.
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