Só perde para duas cidades paulistas em qualidade de vida entre as grandes e virou a 2ª mais feliz do Brasil: a maior cidade de Santa Catarina
A força econômica convive com bons indicadores de qualidade urbana
Poucas cidades brasileiras nasceram de um contrato de casamento entre duas famílias reais. Joinville, no norte de Santa Catarina, começou assim, como parte do dote de uma princesa brasileira que se casou com um príncipe francês e nunca morou nas terras que recebeu. O acordo trouxe imigrantes europeus para a mata do litoral catarinense e deu origem ao município que hoje aparece no topo dos rankings nacionais de qualidade de vida e abriga o maior festival de dança do planeta.
Como um dote de casamento real deu origem à maior cidade catarinense?
A história começa em 1843, com um enlace entre cortes. A princesa Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I e irmã de Dom Pedro II, casou-se com François Ferdinand Philippe, o príncipe de Joinville, e recebeu como dote uma área de 25 léguas quadradas em Santa Catarina. Parte dessas terras foi cedida a uma sociedade colonizadora alemã, que se comprometeu a povoá-las.
O desembarque aconteceu poucos anos depois. Conforme o registro histórico do município reunido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade foi fundada em 9 de março de 1851, com a chegada dos primeiros imigrantes vindos da Alemanha, da Suíça e da Noruega a bordo da barca Colon. O lugar recebeu o nome de Colônia Dona Francisca, em homenagem à princesa, e mais tarde passou a se chamar Joinville, referência ao título do marido dela. Nenhum dos dois pisou ali. Essa herança germânica ainda molda o norte catarinense, tema que também aparece em outros municípios do estado com forte arquitetura de imigração.

O que colocou o município no pódio nacional de qualidade de vida?
Educação, saúde e cultura medidas ao mesmo tempo. Segundo a Prefeitura de Joinville, o Índice de Progresso Social (IPS Brasil), calculado pelo Imazon com 57 indicadores sociais e ambientais, colocou a cidade em terceiro lugar entre todos os municípios brasileiros com mais de 500 mil habitantes, atrás apenas de Ribeirão Preto e Campinas. No recorte geral, com os 5.570 municípios do país, ficou em 35º lugar e em segundo dentro de Santa Catarina.
Os pontos fortes apontados pelo estudo são específicos: proporção de trabalhadores com ensino superior, acesso a cultura, lazer e esporte, expectativa de vida alta, baixa mortalidade infantil e bom desempenho das escolas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O reconhecimento se repete em outro levantamento. De acordo com a administração municipal, a cidade ficou em segundo lugar no ranking das cidades mais felizes do Brasil, estudo inspirado nos critérios do World Happiness Report, da Organização das Nações Unidas (ONU), atrás somente da vizinha Jaraguá do Sul.

Por que julho transforma a cidade inteira em palco de dança?
Porque nenhum outro festival do gênero reúne tanta gente. Conforme o Festival de Dança de Joinville, o evento é citado no Guinness Book como o maior festival de dança do mundo, título que a cidade mantém desde 2005. São doze dias de programação, com milhares de bailarinos inscritos e público que passa de 230 mil pessoas.
A dança não fica restrita a julho. O complexo do Centreventos Cau Hansen, principal palco do festival, abriga também a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, a única unidade da tradicional escola russa fora da Rússia, conforme informa a Fundação Catarinense de Cultura (FCC). Boa parte das apresentações do festival acontece de graça, nos chamados Palcos Abertos, espalhados por praças, parques e shoppings.
O que ver na cidade fora da temporada do festival?
O centro histórico guarda o rastro dos primeiros colonos, e os morros ao redor entregam a vista de toda a região. Confira abaixo os principais pontos:
- Rua das Palmeiras: alameda de palmeiras imperiais plantadas ainda no século XIX, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que leva à entrada do antigo palácio.
- Museu Nacional de Imigração e Colonização: instalado na residência dos príncipes, reúne mobiliário, ferramentas e documentos da chegada dos imigrantes.
- Mirante do Morro da Boa Vista: ponto mais alto de acesso fácil, com vista da cidade e da Baía da Babitonga.
- Estação da Memória: antiga estação ferroviária restaurada, hoje com museus de bicicleta e de transporte.
- Mercado Público: referência em peixe e frutos do mar, com restaurantes e música ao vivo nos fins de semana.
Quem quer descobrir o lado diferente de Joinville, vai curtir este vídeo do canal Num Pulo, com mais de 295 mil inscritos, onde Daniel e Paula conhecem experiências da cidade.
Como é o clima de Joinville ao longo do ano?
A cidade fica entre a serra e o litoral, em uma das faixas mais úmidas do Sul do Brasil, e chove em todos os meses. O verão é quente e abafado, com pancadas quase diárias, e o inverno traz frio moderado acompanhado de garoa persistente. Veja abaixo como o clima se comporta durante o ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro por causa de fenômenos naturais como o El Niño e a La Niña, então vale conferir a previsão atualizada antes de programar o passeio.
Uma colônia de imigrantes que virou referência nacional de bem-estar
A cidade que nasceu de um dote real cresceu até se tornar a maior de Santa Catarina, com indústria pesada, escolas bem avaliadas e um calendário cultural que atrai gente do mundo inteiro. Poucos municípios brasileiros conseguem sustentar desenvolvimento econômico e qualidade de vida no mesmo indicador.
Você precisa conhecer Joinville e caminhar pela Rua das Palmeiras até o museu, onde a história dos primeiros colonos ainda está guardada a poucos passos do centro.
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