China cobra funcionário argentino por tuíte sobre Nepal
Embaixada chinesa em Buenos Aires exige retratação após post ligar tragédia no Himalaia ao Partido Comunista
A Embaixada da China na Argentina exigiu que um funcionário do governo de Javier Milei “mude de atitude imediatamente” após ele atribuir, em publicação pessoal nas redes sociais, a tragédia ocorrida na fronteira entre Nepal e o Tibete a falhas de uma obra estatal chinesa.
O alvo da cobrança diplomática foi Juan Pablo Carreira, diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina, conhecido on-line como “Juan Doe”.
Carreira publicou o texto em sua conta pessoal no X, e não pelos canais oficiais do governo argentino que costuma operar.
O argentino disse que uma companhia estatal chinesa erguia uma usina hidrelétrica próxima a uma geleira na divisa com o Nepal, e que “os típicos falhos da organização estatal da atividade industrial levaram ao maior colapso de uma construção civil já registrado”.
Comparações históricas
No mesmo post, o funcionário estendeu a crítica ao regime comunista chinês, comparando o episódio a desastres como Chernobyl, o Mar de Aral, o Grande Salto Adiante e o Holodomor. Encerrou a mensagem com a frase: “O comunismo mata. O Partido Comunista vestido de ‘empresário’ mata”.
A publicação, embora pessoal, gerou reação formal da representação diplomática chinesa em Buenos Aires.
Em comunicado, a embaixada afirmou que “certo funcionário argentino, movido por preconceitos ideológicos distorcidos, difunde maliciosamente rumores para difamar o Partido Comunista da China e manchar a imagem internacional do país”.
O texto não citou Carreira nominalmente, mas o contexto e o momento da divulgação não deixaram dúvidas sobre o destinatário.
Governo argentino evita se pronunciar
Conforme análises de especialistas e órgãos oficiais da China e do Nepal, a obra hidrelétrica não teria causado o desastre, atribuído ao desprendimento de uma geleira de grande altitude em território nepalês.
A embaixada pediu que o funcionário deixe de “politizar ou instrumentalizar catástrofes naturais”, sob risco de “danos às relações e às cooperações” entre os dois países.
Nem o presidente Milei, nem o chanceler Pablo Quirno, nem contas oficiais do Executivo endossaram ou repercutiram a publicação de Carreira. Procurada, a Chancelaria argentina informou que não comentaria o posicionamento da embaixada chinesa, segundo informações do Infobae.
Carreira ocupa cargo ligado à comunicação digital do governo, mas não integra o gabinete ministerial nem participa da formulação da política externa argentina — funções que caberiam à Chancelaria, que até o momento manteve silêncio público sobre o episódio.
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