Arqueólogos encontram cemitério de tubarões no meio do deserto no Egito; como foram parar lá?
Ao todo, foram identificados 14 dentes associados a pelo menos cinco espécies adicionais, além de duas já conhecidas na região.
Imagine caminhar por um dos lugares mais áridos do planeta e descobrir um cemitério de tubarões e que milhões de anos atrás, aquele mesmo território era tomado pelo oceano e por grandes predadores.
Foi exatamente esse o cenário revelado por fósseis encontrados no planalto de Abu-Tartur, no deserto ocidental do Egito, onde pesquisadores identificaram dentes pertencentes a pelo menos sete espécies de tubarões do Cretáceo.
O que os pesquisadores encontraram no meio do deserto?
As expedições realizadas entre 2020 e 2022 recuperaram dentes fossilizados preservados em depósitos ricos em fosfato. Ao todo, foram identificados 14 dentes associados a pelo menos cinco espécies adicionais, além de duas já conhecidas na região.
O resultado surpreendeu os pesquisadores porque os fósseis estavam concentrados na mesma área, revelando uma diversidade muito maior de predadores marinhos do que se imaginava.
Un «cementerio» de tiburones desvela que el desierto de Egipto fue un mar tropical hace decenas de millones de años.
— Enrique Coperías (@CienciaDelCope) August 26, 2026
🦈 Mucho antes de que existieran los faraones, las pirámides e incluso un desierto, tiburones de al menos siete especies surcaban un mar tropical en el actual… pic.twitter.com/PUF3AlEFq4
Como sete espécies de tubarões foram parar no Sahara?
A explicação está em uma transformação gigantesca da paisagem terrestre. Durante o Cretáceo, há dezenas de milhões de anos, a região que hoje corresponde ao deserto egípcio estava coberta pelas águas do antigo oceano Tétis.
O nível dos mares era muito mais elevado e o clima global era mais quente. Assim, áreas que atualmente parecem impossíveis para qualquer animal marinho chegaram a formar ambientes oceânicos favoráveis à vida.

Quais tubarões deixaram suas marcas nesse antigo oceano?
Os dentes revelam que diferentes tipos de predadores ocupavam aquele ecossistema. Entre os fósseis estão representantes de gêneros como Cretalamna, Scapanorhynchus, Serratolamna e Squalicorax.
Entre os achados, algumas descobertas chamaram atenção especial:
A diversidade sugere que o antigo ambiente marinho possuía diferentes nichos ecológicos, permitindo a presença de vários predadores.
Por que os cientistas encontraram principalmente dentes no cemitério de tubarões?
Existe uma razão simples para o estranho “cemitério” ser formado principalmente por dentes. O esqueleto dos tubarões é constituído por cartilagem, material que apresenta muito menos potencial de fossilização do que estruturas mineralizadas.
Os dentes, por outro lado, são altamente mineralizados e podem sobreviver por milhões de anos. Por isso, mesmo sem esqueletos completos, eles funcionam como verdadeiras pistas capazes de reconstruir o passado daquele oceano.
O deserto egípcio ainda pode esconder outras descobertas?
O mais intrigante é que os pesquisadores não interpretam o achado simplesmente como uma concentração causada por uma única morte em massa. Os dentes podem ter se acumulado gradualmente nos sedimentos ao longo de milhares ou milhões de anos.
A concentração de fósseis também aponta para um ambiente marinho altamente produtivo, provavelmente capaz de sustentar uma cadeia alimentar complexa.
E a equipe pretende continuar investigando Abu-Tartur, porque o maior mistério pode estar justamente naquilo que ainda permanece escondido sob as rochas do deserto.
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