Onze igrejas foram escavadas diretamente na rocha e ligadas por trincheiras numa tentativa medieval de criar uma nova Jerusalém
O complexo tem valas de drenagem específicas para escoar a água da chuva das passagens subterrâneas entre as igrejas

O que você vai ver
- O que são as 11 igrejas monolíticas de Lalibela.
- Como as trincheiras e túneis conectam as igrejas entre si.
- Para que servem as valas de drenagem do complexo.
- Por que Lalibela era chamada de nova Jerusalém.
- Como Lalibela continua ligada à peregrinação até hoje.
Na Etiópia, onze igrejas foram escavadas diretamente na rocha durante os séculos XII e XIII e conectadas entre si por uma rede de trincheiras e túneis, projeto monumental concebido como uma tentativa medieval de recriar Jerusalém em solo africano.
O que são as 11 igrejas monolíticas de Lalibela?
Lalibela reúne onze igrejas monolíticas, construções talhadas inteiramente a partir de blocos únicos de rocha, escavadas de cima para baixo até que a forma completa da igreja emergisse diretamente do maciço rochoso original, técnica construtiva que dispensava o empilhamento tradicional de blocos separados.
Esse método de construção, que envolvia remover rocha em vez de adicionar material, exigia planejamento extremamente preciso desde o início da escavação, já que qualquer erro de cálculo durante o processo dificilmente poderia ser corrigido depois de a rocha já ter sido removida.
🇪🇹 Rock-Hewn Churches of Lalibela, Ethiopia 🏛️
— Rilwan Saaka (@RilwanSaaka) September 1, 2026
Carved from red volcanic rock, Lalibela’s 11 magnificent churches were created in the 12th–13th centuries to recreate the holy city of Jerusalem.
A UNESCO World Heritage Site since 1978, the complex features the iconic cross-shaped… pic.twitter.com/D5BS9xhys4
Como as trincheiras e túneis conectam as igrejas entre si?
Além das próprias igrejas, o complexo de Lalibela inclui uma rede de passagens escavadas na rocha, entre elas trincheiras e túneis que conectam fisicamente as diferentes igrejas, permitindo a circulação de fiéis e clérigos entre os diversos templos sem a necessidade de acessar a superfície aberta.
Essa rede de conexões subterrâneas transforma o conjunto de Lalibela num sistema arquitetônico integrado, onde a experiência de peregrinação envolve não apenas a visita a cada igreja isoladamente, mas o próprio deslocamento por passagens escavadas que ligam o complexo como um todo.
Para que servem as valas de drenagem do complexo?
Como as igrejas de Lalibela ficam abaixo do nível original do terreno, escavadas para dentro da rocha, o complexo precisava de um sistema específico para lidar com o escoamento de água da chuva, que de outra forma poderia se acumular nas passagens e comprometer tanto a circulação quanto a própria estrutura das igrejas.
Para resolver esse problema, os construtores incluíram valas de drenagem cuidadosamente planejadas ao longo do complexo, sistema que direciona a água para longe das áreas cerimoniais e de circulação, solução de engenharia que permanece funcional mesmo séculos depois da construção original.
Por que Lalibela era chamada de nova Jerusalém?
O projeto de Lalibela foi concebido, segundo a tradição associada ao complexo, como uma tentativa de recriar em solo etíope uma versão simbólica de Jerusalém, oferecendo aos fiéis da região um destino de peregrinação alternativo em períodos nos quais o acesso à Jerusalém original enfrentava dificuldades práticas ou políticas.
Essa intenção simbólica se refletia inclusive em nomes e referências espaciais dentro do próprio complexo, elementos que reforçavam a associação direta entre Lalibela e a cidade sagrada original, consolidando o local como um centro de peregrinação com significado religioso equivalente para a comunidade cristã etíope.
Captured moments during prayers around the ancient rock-hewn Church of Lalibela, a monolithic church in the western Ethiopian Highlands near Lalibela. pic.twitter.com/AiYX74SpAB
— Typical African (@Joe__Bassey) August 8, 2026
Como Lalibela continua ligada à peregrinação até hoje?
Passados os séculos XII e XIII, quando as igrejas foram originalmente escavadas, Lalibela permanece um destino ativo de peregrinação religiosa, com fiéis continuando a visitar e utilizar os espaços cerimoniais do complexo para práticas de fé que remontam diretamente à concepção original do local.
Essa continuidade de uso, rara entre monumentos arquitetônicos tão antigos, mantém Lalibela como um sítio vivo, não apenas como uma ruína preservada para estudo arqueológico, mas como um espaço religioso ativo que conecta diretamente comunidades contemporâneas à intenção espiritual original de seus construtores medievais.
- Lalibela reúne 11 igrejas monolíticas escavadas na rocha entre os séculos XII e XIII.
- Trincheiras e túneis conectam as igrejas entre si, formando um complexo integrado.
- Valas de drenagem protegem as passagens subterrâneas do acúmulo de água da chuva.
- Complexo segue sendo usado ativamente para peregrinação religiosa até os dias atuais.
Complexos religiosos escavados diretamente na rocha também aparecem em outros relatos arqueológicos, como o caso de Volubilis, cidade romana que ficou quase mil anos sem ocupação antes de ser redescoberta.
Mais detalhes sobre Lalibela estão disponíveis no site oficial da UNESCO.
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