6ª cidade mais acolhedora do mundo ao lado de Itália e Japão: a vila goiana de 1727 que guarda mais de 80 cachoeiras e um centro histórico tombado
O centro histórico preserva uma atmosfera que atravessou diferentes gerações
Existem destinos que ficam famosos pela paisagem e outros que ficam pelo jeito de receber. Pirenópolis, no interior de Goiás, entrou na segunda lista e apareceu em uma seleção mundial montada a partir de avaliações de viajantes. A cidade nasceu do ouro no século XVIII, manteve as ruas de pedra praticamente intactas e hoje soma centro histórico protegido por lei, uma festa religiosa reconhecida como patrimônio nacional e dezenas de cachoeiras na serra ao redor.
O que levou uma cidade goiana ao top 10 mundial da Booking.com?
O motivo foi a avaliação de quem se hospedou lá. Segundo a Booking.com, Pirenópolis é a 6ª cidade mais acolhedora do mundo em 2026, na lista que a plataforma divulga junto com os Traveller Review Awards. O ranking usa mais de 370 milhões de avaliações verificadas e mede a proporção de hospedagens premiadas em cada destino, ou seja, não premia um hotel isolado e sim a constância do atendimento na cidade inteira.
A companhia é de peso. No mesmo grupo de dez aparecem Montepulciano, na Itália, Takayama, no Japão, e Noosa Heads, na Austrália. Da América Latina, apenas a cidade goiana e a argentina San Martín de los Andes entraram. O Brasil também costuma marcar presença nas versões nacionais do prêmio, como no caso da cidade paulista eleita a mais acolhedora do país.

Como o ouro de 1727 desenhou as ruas de pedra que sobreviveram
A cidade nasceu de uma descoberta às margens do Rio das Almas, em 1727, quando bandeirantes encontraram ouro na região. Conforme o portal de turismo da Prefeitura de Pirenópolis, o povoado se chamava Meia Ponte e só recebeu o nome atual em 1890, homenagem à Serra dos Pireneus que cerca o município.
O que salvou o casario foi justamente a decadência. Com o fim do ouro, a economia migrou para a agricultura e a pecuária, e o núcleo urbano parou de crescer, atravessando décadas quase sem alterações. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico foi tombado em 1990 e reúne um dos acervos patrimoniais mais ricos do Brasil Central.

Quais atrativos naturais cercam a Serra dos Pireneus?
A serra funciona como divisor de águas entre duas grandes bacias e concentra nascentes, paredões e quedas d’água a poucos quilômetros do centro. Confira alguns dos pontos mais procurados:
- Parque Estadual dos Pireneus: unidade criada em 1987, com 2.833 hectares de cerrado rupestre de altitude e formações rochosas. Entrada gratuita.
- Cachoeira dos Dragões: conjunto de quedas e poços em meio à mata, citado pela Booking.com como um dos cartões do município.
- Cachoeira Meia Lua: queda de águas calmas, indicada para quem quer banho tranquilo sem grandes caminhadas.
- Cachoeira do Abade: uma das mais visitadas da região, no caminho que liga a cidade à subida da serra.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: templo do século XVIII no coração do centro histórico, ponto de partida das celebrações religiosas.
- Rio das Almas: o mesmo curso d’água que atraiu os primeiros garimpeiros corta a cidade e recebe banhistas nos meses quentes.
Quem sonha em conhecer Pirenópolis vai curtir este vídeo do Rolê Família, com mais de 122 mil visualizações, que explora cachoeiras, centro histórico e gastronomia.
Por que a Festa do Divino virou patrimônio cultural do Brasil?
Porque ela mobiliza a cidade inteira e atravessou dois séculos sem interrupção. Conforme o IPHAN, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis é realizada anualmente desde 1819 e foi registrada no Livro das Celebrações em 2010, tornando-se patrimônio cultural do país.
São quase trinta dias de novenas, folias, alvoradas e apresentações folclóricas que envolvem a zona urbana e a rural. O ponto alto são as Cavalhadas, encenação a cavalo das batalhas entre mouros e cristãos, acompanhada pelos mascarados, personagens de máscaras coloridas que circulam pelas ruas. Tudo acontece no período de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa, o que costuma jogar a festa para maio ou junho.
Onde fica a cidade e como chegar até ela
A localização ajuda a explicar o movimento constante de visitantes. Conforme a Booking.com, Pirenópolis está a cerca de três horas de carro de Brasília e a aproximadamente duas horas de Goiânia, o que coloca duas capitais dentro de uma viagem curta de fim de semana.
O acesso rodoviário passa pela GO-338, que chega ao município a partir de Anápolis. Do centro histórico até a portaria do Parque Estadual dos Pireneus são cerca de 20 km, boa parte em estrada de terra que sobe a serra.
Uma vila goiana que o mundo aprendeu a reconhecer
Pirenópolis reúne uma combinação difícil de repetir: três séculos de arquitetura preservada, uma festa que a própria comunidade sustenta desde 1819 e um cerrado de altitude cheio de água a poucos minutos do calçamento de pedra. O reconhecimento internacional apenas confirmou o que os moradores da região já praticavam.
Você precisa reservar alguns dias em Piri e descobrir por que uma cidade do interior de Goiás entrou na mesma lista que a Toscana e o Japão.
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