Corretor de 29 anos trocou férias de esqui por uma operação que retirou cerca de 669 crianças da Tchecoslováquia em 1939 porque Nicholas Winton levantou garantias de £50, encontrou famílias britânicas e organizou oito transportes antes da guerra fechar as fronteiras
Uma rede de voluntários transformou garantias, documentos e famílias de acolhimento em uma rota de saída para centenas de crianças ameaçadas pelo nazismo
Em dezembro de 1938, o corretor da bolsa Nicholas Winton, então com 29 anos, preparava-se para férias de esqui quando um amigo pediu que ele fosse à Tchecoslováquia conhecer a situação dos refugiados. O que deveria ser uma viagem curta transformou-se numa operação que ajudaria aproximadamente 669 crianças, a maioria judia, a chegar em segurança à Grã-Bretanha antes da Segunda Guerra Mundial.
Por que Nicholas Winton abandonou as férias e foi para Praga?
O convite veio de Martin Blake, que trabalhava com o British Committee for Refugees from Czechoslovakia. Winton chegou a Praga num momento em que milhares de judeus e opositores políticos haviam sido deslocados após a anexação dos Sudetos pela Alemanha nazista. A situação nos campos de refugiados convenceu o jovem britânico de que crianças também precisavam de uma rota de saída.
Winton criou uma seção dedicada às crianças e começou a receber pedidos das famílias. Depois voltou para Londres, enquanto colaboradores como Trevor Chadwick continuaram o trabalho em Praga. Essa divisão foi essencial: os documentos, as autorizações e a preparação dos grupos precisavam ser coordenados simultaneamente dos dois lados da Europa.
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Como Nicholas Winton conseguiu retirar centenas de crianças da Tchecoslováquia?
O governo britânico aceitava crianças refugiadas desde que algumas condições fossem atendidas. Para cada uma, era necessário encontrar um responsável ou local de acolhimento e apresentar uma garantia de £50, destinada a custear uma eventual saída futura do país. Winton passou a trabalhar durante o dia na bolsa e dedicar tardes e noites à busca por dinheiro e famílias.
Fotografias e informações das crianças eram enviadas a possíveis famílias, jornais e organizações beneficentes. Quando uma vaga e uma garantia eram obtidas, os documentos seguiam para Praga, onde colaboradores providenciavam autorizações, passagens, escoltas e a organização física dos transportes.
- £50: Garantia exigida para cada criança aceita.
- 29 anos: Idade de Winton no início da operação.
- Oito transportes: Organizados entre março e agosto de 1939.
- Cerca de 669 crianças: Número posteriormente associado ao resgate.
- Maioria judia: Principal grupo ameaçado atendido pela operação.
Esta reportagem do Channel 4 News relembra a operação organizada por Winton e o reencontro com sua história décadas depois.
Quantos transportes foram organizados por Nicholas Winton em 1939?
Entre março e agosto de 1939, Winton e seus colaboradores ajudaram a organizar oito transportes. O primeiro partiu de Praga de avião em 14 de março, um dia antes da ocupação alemã das terras tchecas. Depois disso, outros sete grupos saíram de trem de Praga, atravessaram a Alemanha e seguiram por navio até a Grã-Bretanha.
O último desses transportes bem-sucedidos deixou Praga em 2 de agosto. Embora a história seja frequentemente resumida como a dos “trens de Winton”, o registro do United States Holocaust Memorial Museum mostra que o primeiro grupo viajou de avião; portanto, é mais preciso falar em oito transportes, sendo sete deles ferroviários.
Por que a operação terminou quando a Segunda Guerra Mundial começou?
Um novo e ainda maior transporte estava sendo preparado para 1º de setembro de 1939, com cerca de 250 crianças. Naquele mesmo dia, a Alemanha invadiu a Polônia. A guerra alterou imediatamente as condições de circulação pela Europa, e o grupo planejado não conseguiu partir de Praga.
Para Winton, esse transporte frustrado permaneceu como uma das lembranças mais dolorosas do período. Famílias britânicas já haviam sido localizadas para receber aquelas crianças, mas a janela de saída havia se fechado. O material do United States Holocaust Memorial Museum detalha a cronologia e o trabalho coletivo por trás dos resgates.

Quais números mostram a dimensão da operação de Nicholas Winton?
O número mais conhecido é 669, mas existe uma pequena nuance histórica. O álbum mantido por Winton registrava 664 crianças que chegaram à Grã-Bretanha nos transportes organizados por sua rede. Pesquisas posteriores identificaram outras cinco pessoas que viajaram graças a transportes financiados pela operação, elevando o total oficialmente divulgado para 669.
O esforço também fez parte de um movimento humanitário maior. O Kindertransport levou aproximadamente 10 mil crianças da Alemanha, Áustria, Tchecoslováquia e Polônia para a Grã-Bretanha entre 1938 e 1940, com participação de organizações judaicas, quakers, cristãos e numerosos voluntários.
| Dado | Informação |
|---|---|
| Idade de Winton | 29 anos |
| Garantia por criança | £50 |
| Transportes concluídos | 8 |
| Crianças identificadas | 669 |
Por que a história ficou praticamente desconhecida durante quase 50 anos?
Depois da guerra, Winton raramente falava sobre o episódio. A história ganhou grande repercussão apenas no fim dos anos 1980, depois que sua esposa, Grete, encontrou um álbum com fotografias, listas de nomes e documentos relacionados às crianças. O material chegou à imprensa britânica e revelou publicamente a dimensão da operação.
O resgate também não foi obra de uma única pessoa. Winton coordenou principalmente o lado britânico, enquanto colaboradores em Praga enfrentaram diretamente burocracia, autoridades alemãs, transporte e organização dos grupos. Seu papel foi decisivo, mas a história completa mostra uma rede que conseguiu transformar garantias financeiras, documentos e famílias voluntárias em rotas de saída antes que a guerra fechasse essa possibilidade.
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